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Como Chegar

Praça Ruy Barbosa, 104 | Centro
Belo Horizonte | MG | 30.160-000
Telefone: (31) 3222-6457
contato@centoequatro.org

Funcionamento:
Café 104, Cine 104 e espaços multiuso: consulte a programação

Acesso para deficientes

Programação

  • 26 set 20 dez 2017

    Escola Vai ao Cinema [ Inscrições Abertas ]

    Cine 104 abre inscrições para a edição 2017 do projeto “Escola Vai ao Cinema”

    O Projeto “Escola Vai ao Cinema”

    Com o objetivo de propiciar o contato de estudantes com importantes filmes da cinematografia brasileira recente, o CentoeQuatro promove o programa educativo Escola Vai ao Cinema. A proposta é ampliar e formar público de curtas metragem.

    As sessões desta edição terão como público-alvo, estudantes do programa EJA – Ensino Jovens e Adultos, da rede pública, a fim de oportunizar uma programação mais plural e inclusiva. A escola poderá escolher um filme das opções apresentadas – Programa de Curtas Metragem ou o longa-metragem, agendar a data e horário da sessão – às segundas-feiras, turno tarde ou noite.

    As atividades acontecem no Cine 104, que tem capacidade para 90 pessoas. A sessão é gratuita para escolas públicas, devendo a escola ser responsável apenas pelo transporte dos alunos. As escolas particulares que tiverem interesse, também podem participar do programa, basta entrar em contato pelo e-mail cine@centoequatro.org para saber as condições e valores.

    As escolas da rede pública que tiverem interesse em levar turmas de alunos para assistir à sessão comentada, deverá se cadastrar pelo e-mail cine@centoequatro.org sendo é já devem indicar a data pretendida e horário.

    Além da exibição de filmes, o projeto A Escola Vai ao Cinema, propõe que esta experiência com o cinema seja mais profunda e rica, onde a partir de um bate papo, o público possa refletir e debater sobre a obra exibida. Para isso, todas as sessões contam com a presença de especialistas convidados que, após a sessão do filme, debatem com os estudantes desde a linguagem cinematográfica a questões sociais e políticas trazidas em cada filme. A convidada dessa edição é Maria Elisa Macedo.

    Escola vai ao Cinema: Filmes disponíveis para agendamento de sessões para escolas

    - Programa de Curtas Metragens
    (nessa opção, serão apresentados três filmes de curtas metragens realizados em Belo Horizonte)

    Estado Itinerante (Dir. Ana Soares, 2016, 25min)
    Na missão, com Kadu (Dir. Aiano Bemfica, Kadu Freitas & Pedro Maia de Brito,
    2016, 28 min.)
    Quinze (Dir. Maurílio Martins, 2015, 25min)

    - Exibição Longa Metragem
    (nessa opção será feita a exibição de um longa metragem)

    Era o Hotel Cambridge (Dir. Eliane Caffé, 2015, 99 min.)

    Informações sobre os filmes:

    Programa Curtas Metragem

    Estado Itinerante
    Direção: Ana Soares
    2016, 25 min

    Sinopse:Vivi quer escapar de uma relação opressora. Em período de experiência como cobradora de ônibus, ela trabalha desejando não voltar para casa. A semana passa rápido, entre as paradas no ponto final e o itinerário os encontros com outras cobradoras fortalecem a mulher trabalhadora e seu desejo de fuga. Logo é final de semana e o centro de Belo Horizonte já não parece tão longe do bairro Boa Vista.

    Na missão, com Kadu
    Direção : Aiano Bemfica, Kadu Freitas & Pedro Maia de Brito
    Ano : 2016
    Duração : 28 min.

    Sinopse : Na luta por moradia em Belo Horizonte, no maior conflito fundiário urbano da américa latina, um militante, sua câmera e seu povo enfrentam o poder dos cassetetes e das bombas de gás

    Quinze
    Direção: Maurílio Martins
    Ano : 2015
    Duração : 25 min.

    Sinopse : Na periferia de Contagem, sob paredes sem acabamento, Raquel tem alguns sonhos. Por ora, a festa da filha, que fará 15 anos, é o maior deles. Em meio a isso há contas a pagar, a busca pelo próximo modo de ganhar dinheiro e há o amor por Cleide. Premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes.

    Longa Metragem

    Era o Hotel Cambridge
    Diretora :. Eliane Caffé
    Ano : 2015
    Duração : 99 min.
    Classificação indicativa : 14 anos

    Sinopse – O longa narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, juntos com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Em meio à tensão diária da ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo.

    Moderadora participante

    Maria Elisa Macedo - Desenvolve projetos cinema, arte e educação, é uma das curadoras do “A Escola vai ao cinema”, projeto que integra desde 2013. Cursou Mestrado em Cine y Teatro latinoamericano na Universidad de Buenos Aires e é graduada em Jornalismo no UNI-BH. Entre seus trabalhos autorais estão o curtas metragens, a exposição fotográfica “Mira, um olhar sobre Cuba”, além de ser idealizadora do projeto de filme-carta “Cartas Visuais”.

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  • 14 out 09 dez 2017

    [ Inscrições Abertas ] Curso Pensar o Cinema Brasileiro

    → 14 de outubro a 9 de dezembro (Apenas aos sábados)
    Horário: 14 às 16h
    Inscrições: contato@artesaostagarelas.com.br e pelo sympla
    Vagas: 80

    A Artesãos Tagarelas em parceria com Cine 104 abre vagas para o Projeto Pensar o Cinema Brasileiro em sete encontros nos sábados, 14 e 21 de outubro, 04, 18 e 25 de novembro e 02 e 09 de dezembro de 2017.

    Objetivo do Projeto Pensar o Cinema Brasileiro é desenvolver uma visão histórica e crítica do cinema brasileiro proporcionando o debate de ideias e a formação de um público com uma identidade mais voltada para cultura brasileira.
    Oferecer aos interessados múltiplas visões do cinema e suas muitas relações no campo audiovisual possibilitando estabelecer um pensamento crítico através de leituras e releituras do processo histórico.

    Com uma abordagem de forma teórica e reflexiva passar em revista os momentos determinantes da formação do cinema brasileiro começando com os pioneiros nos anos 20 e 30 passando pelos modelos de industrialização relevando as rupturas das décadas de 60 e 70 e propor um novo significado do cinema popular e a relação de mercado e destacar os novos olhares da contemporaneidade.

    Sobre Ataídes Braga
    Ataídes Braga é graduado em História pela UFOP e mestre em cinema pela UFMG. Ator, roteirista, produtor, professor e pesquisador de cinema. Membro do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais e do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro. Autor dos livros O Fim das Coisas – as salas de cinema de Belo Horizonte; Poesia Fragmentos de versos, 2007, editora Plurarts; Cachoeira de Filmes, 2011 e do Romance Em Cinco Linhas, 2015. É Sócio Diretor da Empresa Artesãos Tagarelas.

    SERVIÇO

    Curso Pensar o Cinema Brasileiro
    Local: Cine 104 (Praça Ruy Barbosa, 104, Centro)
    Período: de 14 de outubro a 09 de dezembro
    Sábados, das 14 às 16 horas
    Carga horária: 14 horas
    Inscrições: contato@artesaostagarelas.com.br e pelo sympla

    Investimento: R$ 25,00 (por sessão) ou R$150,00 (completo)
    *Desconto: estudantes pagam R$15,00 ou R$100,00 completo
    Vagas: 80 pessoas*
    *10 vagas destinadas ao Cine 104.

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  • 19 out 25 out 2017

    Uma mulher Fantástica [ Terceira Semana ]

    Uma mulher Fantástica [ Urso de Prata – Melhor Roteiro – Festival de Berlim 2017 ]

    Direção – Sebastián Lelio
    Chile, 2017, 104m
    Com Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco, Aline Küppenheim

    → 19 a 25 de outubro (exceto 22 e 23 de outubro)
    Horário: 17h

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 14 anos

    Sinopse

    Marina é uma mulher trans. Quando seu parceiro morre, ela se vê diante da raiva e do preconceito da família dele. Ela luta por seu direito de sofrer – com a mesma energia ininterrupta que ela exibiu quando lutou para viver como uma mulher.

    Sobre o filme – Inácio Araujo para a Folha de São Paulo

    Mistério de ‘Uma Mulher Fantástica’ fascina o espectador

    É inquietante olhar para a Marina de “Uma Mulher Fantástica”: conforme o ângulo, o que vemos é uma mulher, conforme o ângulo (ou a expressão corporal, ou arranjo dos cabelos), uma mulher. O certo é que esse perfeito andrógino, ou transexual, desperta nossa atenção como objeto (o que é?) antes, bem antes, de nos perguntarmos por ele como sujeito (quem é?).

    É desse mistério, no mais, que se ocupa o filme do chileno Sebastián Lelio. Mistério que fascina o espectador, diga-se. Um dos melhores momentos do filme, a esse propósito, está no final. Vemos, à distância e pela primeira vez, o corpo nu de Marina. E nos perguntamos sobre como serão seus órgãos genitais.

    À distância, não se pode saber. Mas haverá um plano próximo? Sim, ele vem logo em seguida. Porém não como se poderia esperar. Vemos as pernas de Marina, mas, entre elas, há um espelho redondo. Ou seja, em vez do mistério resolvido, o que vemos é o rosto de Marina, sempre ambíguo, refletido no espelho.

    De certa forma é a nós mesmos que a reflexão remete. À nossa curiosidade, à nossa inquietação, às nossas dúvidas e angústias sobre a sexualidade.

    A questão do filme é desenvolvida ao longo de uma trama razoavelmente convencional, e que poderia dizer respeito a qualquer pessoa, transexual ou não: Marina vive com Orlando, bem-sucedido empresário que morre de modo repentino.
    Começa então o sofrimento de Marina, não apenas pela perda de uma pessoa querida como pelas suspeitas da polícia de assassinato (não são tão fortes assim, mas a forçam a uma série de procedimentos humilhantes).

    Não só: a família de Orlando não demora a explicitar toda a reserva que tem em relação a Marina e à opção de Orlando de abandonar a mulher. Esta, aliás, dará a melhor definição de Marina: uma quimera, quer dizer, um ser imaginário.
    Eis o que, entre agressões e humilhações de Marina, recentra a trama: é com a ficção que estamos envolvidos. Talvez seja essa a paixão de Orlando: a percepção de que nenhum homem passa de uma quimera, de um ato de imaginação.

    A Marina cabe ser a quimera absoluta: homem e mulher, masculino e feminino. O imaginário tornado real pela ciência contemporânea. O triunfo do fictício num mundo que já pouco acredita em sua própria imaginação. A hipótese desenvolvida por Lelio não é apenas contemporânea.

    É, ainda, muito interessante, na medida em que coloca em questão o que somos e sugere, até, aquela resposta da personagem de uma peça de Fernando Pessoa: “De resto, fomos nós alguma coisa?”.

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  • 19 out 25 out 2017

    Como nossos pais [ Quarta Semana ]

    Como nossos pais [ Festival de Gramado e Berlim 2017 ]

    Direção – Laís Bodanzky
    Brasil, 2017, 1h42m
    Com Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena

    → 19 a 25 de outubro (exceto 22 e 23 de outubro)
    Horário: 19h

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 14 anos

    Sinopse

    Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

    Sobre o filme – Naief Haddad para Folha de São Paulo

    Filme ‘Como Nossos Pais’ se destaca pela naturalidade

    Em meio à instabilidade histórica da produção de filmes no Brasil, o cinema do país enriquece, aos poucos, um filão em que os europeus já exibem uma tradição consolidada ao longo de décadas.

    São os dramas que se concentram na intimidade das relações familiares. No cinema brasileiro, “Eles Não Usam Black-Tie” (1981) e “Lavoura Arcaica” (2001) estão entre os expoentes dessa vertente.

    “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, fortalece essa trilha, conciliando temas ancestrais, como a ligação entre mãe e filha, e questões contemporâneas, caso de anseios e conflitos da mulher neste século, que constituem uma nova (e bem-vinda) onda feminista.

    “Não quero mais fingir que sou uma mulher que dá conta de tudo. Eu não dou conta de tudo”, desabafa Rosa, a jornalista vivida por Maria Ribeiro.

    Aos 38 anos, a protagonista é filha de pais divorciados, ambos intelectuais da classe média paulistana. Emergem novas camadas de sentimentos, sempre ambíguos, na relação dela com a mãe (Clarisse Abujamra), que descobre ter uma doença grave.

    Talvez por insegurança, Rosa reconhece ser mais careta que os pais, característica que molda sua convivência com as duas filhas, crianças próximas da adolescência.

    Mas a crise da personagem não se limita à condição de filha e mãe. O casamento com o antropólogo Dado (Paulo Vilhena) está prestes a ruir. No mais, ela sustenta a casa com um trabalho que a frustra enquanto sufoca o desejo de se tornar dramaturga.

    Algumas mulheres que leem este texto se identificarão com a protagonista. Ou verão suas amigas espelhadas na personagem. Laís Bodanzky, com 47 anos, e Maria Ribeiro, 41, enfrentam dilemas muito semelhantes aos de Rosa.

    Não se trata de uma construção cujo trunfo seja a originalidade. “Como Nossos Pais” se distingue da maior parte dos dramas familiares pela naturalidade expressa nas situações de intimidade e riqueza de matizes a conduzir cada personagem. O filme nos põe dentro do núcleo familiar.

    Sinais sutis conduzem a transformação de Rosa, o que exigia de Maria modulação da sensibilidade. Uma carga emotiva em excesso ou um tom mais austero da atriz resultariam noutro filme, certamente menos interessante.

    Também é notável o desempenho de Clarisse Abujamra como uma mãe impetuosa, que não se constrange pela trajetória à margem das convenções.

    Diretora de filmes como “Bicho de Sete Cabeças” e “As Melhores Coisas do Mundo”, Laís Bodanzky se firma como uma cineasta do seu tempo, especialmente atenta às particularidades do comportamento. Não é pouca coisa.

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  • 19 out 25 out 2017

    Glory [ Primeira Semana ]

    Glory [ Locarno 2017 ]

    Direção – Kristina Grozeva e Petar Valchanov
    Bulgaria, 2017, 101 min
    Com Stefan Denolyubov e Margita Gosheva

    → 19 a 25 de outubro (exceto 22 e 23 de outubro)
    Horário: 20h45

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 14 anos

    Sinopse

    Petrov, um humilde trabalhador ferroviário búlgaro, encontra milhões em dinheiro nos trilhos do trem onde trabalha diariamente. Ele decide entregar toda a quantia para a polícia e é recompensado com um novo relógio de pulso, que logo para de funcionar. Enquanto isso, a arrogante Julia, chefe do departamento de relações públicas do Ministério dos Transportes, perde o velho relógio de Petrov, uma relíquia familiar, que ela teria guardado no momento da homenagem. Este é o começo da luta desesperada do homem para recuperar seu antigo relógio e sua dignidade.

    Sobre o filme – Sérgio Alpendre para a Folha de São Paulo

    Comédia búlgara ‘Glory’ trata de corrupção política e dignidade

    Tzanko Petrov é um homem simples. Ferroviário, um dia encontra um belo montante de dinheiro nos trilhos e resolve entregar à polícia. Seu ato exemplar se torna midiático, e chama também a atenção do Ministério dos Transportes, que resolve lhe conceder um prêmio.

    Julia Staykova é encarregada das Relações Públicas do ministro. Ela leva Tzanko para um encontro com o político. Mas Julia não se importa com Tzanko. Está mais preocupada com as exigências do marido, que quer um filho.

    Durante o encontro, ela fica com o relógio de pulso de Tzanko e o perde. Era um relógio especial, presente de família. Tzanko não está nem aí para a parafernália em torno dele. Quer o relógio antigo, o que é compreensível.

    Este é um resumo da trama de “Glory”, comédia búlgara que ganhou alguns prêmios em festivais de menor expressão. A direção é de Kristina Grozeva e Petar Valchanov, também autores do roteiro, com Decho Taralezhkov.

    A premissa é boa. Serve sobretudo a uma sátira de costumes. O que é um relógio de pulso para uma executiva? Pois é tudo para quem o ganhou como um presente familiar. Temos aí uma fábula sobre a indiferença e a dignidade.

    Temos também a corrupção política. Vemos a sede doentia pelo poder e o que se faz quando se quer manter no poder a qualquer custo.

    Os atores principais estão bem. Stefan Denolyubov nos faz acreditar em seu personagem Tzanko, na força de sua simplicidade e em seu caráter. Margita Gosheva compõe uma Julia forte, com espírito de liderança, mas também inescrupulosa, egoísta.

    Graças à relação entre esses dois personagens, os diretores conseguem alguns momentos interessantes, principalmente pela oposição entre suas personalidades.

    Um problema está na câmera que treme desnecessariamente em algumas cenas, como se quisesse berrar uma suposta contemporaneidade. É uma fórmula estética deturpada de uma ideia equivocada de modernidade.

    O desleixo, como quase sempre acontece, tira a potência de algumas cenas, tornando-as corriqueiras, documentais. Quando não importa muito “como” se filma, o “que” se filma fica enfraquecido.

    Mas há um uso muito interessante da relação entre o que se mostra e o que se esconde, além da inteligência nas relações de causa e efeito, como quando Julia está no hospital e vê pela TV uma declaração bombástica de Tzanko. É por esses detalhes que vale a pena ver “Glory”.

    Detalhes

    Saiba mais

  • 19 out 25 out 2017

    Uma mulher Fantástica [ Terceira Semana ]

    Uma mulher Fantástica [ Urso de Prata – Melhor Roteiro – Festival de Berlim 2017 ]

    Direção – Sebastián Lelio
    Chile, 2017, 104m
    Com Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco, Aline Küppenheim

    → 19 a 25 de outubro (exceto 22 e 23 de outubro)
    Horário: 17h

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 14 anos

    Sinopse

    Marina é uma mulher trans. Quando seu parceiro morre, ela se vê diante da raiva e do preconceito da família dele. Ela luta por seu direito de sofrer – com a mesma energia ininterrupta que ela exibiu quando lutou para viver como uma mulher.

    Sobre o filme – Inácio Araujo para a Folha de São Paulo

    Mistério de ‘Uma Mulher Fantástica’ fascina o espectador

    É inquietante olhar para a Marina de “Uma Mulher Fantástica”: conforme o ângulo, o que vemos é uma mulher, conforme o ângulo (ou a expressão corporal, ou arranjo dos cabelos), uma mulher. O certo é que esse perfeito andrógino, ou transexual, desperta nossa atenção como objeto (o que é?) antes, bem antes, de nos perguntarmos por ele como sujeito (quem é?).

    É desse mistério, no mais, que se ocupa o filme do chileno Sebastián Lelio. Mistério que fascina o espectador, diga-se. Um dos melhores momentos do filme, a esse propósito, está no final. Vemos, à distância e pela primeira vez, o corpo nu de Marina. E nos perguntamos sobre como serão seus órgãos genitais.

    À distância, não se pode saber. Mas haverá um plano próximo? Sim, ele vem logo em seguida. Porém não como se poderia esperar. Vemos as pernas de Marina, mas, entre elas, há um espelho redondo. Ou seja, em vez do mistério resolvido, o que vemos é o rosto de Marina, sempre ambíguo, refletido no espelho.

    De certa forma é a nós mesmos que a reflexão remete. À nossa curiosidade, à nossa inquietação, às nossas dúvidas e angústias sobre a sexualidade.

    A questão do filme é desenvolvida ao longo de uma trama razoavelmente convencional, e que poderia dizer respeito a qualquer pessoa, transexual ou não: Marina vive com Orlando, bem-sucedido empresário que morre de modo repentino.
    Começa então o sofrimento de Marina, não apenas pela perda de uma pessoa querida como pelas suspeitas da polícia de assassinato (não são tão fortes assim, mas a forçam a uma série de procedimentos humilhantes).

    Não só: a família de Orlando não demora a explicitar toda a reserva que tem em relação a Marina e à opção de Orlando de abandonar a mulher. Esta, aliás, dará a melhor definição de Marina: uma quimera, quer dizer, um ser imaginário.
    Eis o que, entre agressões e humilhações de Marina, recentra a trama: é com a ficção que estamos envolvidos. Talvez seja essa a paixão de Orlando: a percepção de que nenhum homem passa de uma quimera, de um ato de imaginação.

    A Marina cabe ser a quimera absoluta: homem e mulher, masculino e feminino. O imaginário tornado real pela ciência contemporânea. O triunfo do fictício num mundo que já pouco acredita em sua própria imaginação. A hipótese desenvolvida por Lelio não é apenas contemporânea.

    É, ainda, muito interessante, na medida em que coloca em questão o que somos e sugere, até, aquela resposta da personagem de uma peça de Fernando Pessoa: “De resto, fomos nós alguma coisa?”.

    Detalhes

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  • 19 out 25 out 2017

    Como nossos pais [ Quarta Semana ]

    Como nossos pais [ Festival de Gramado e Berlim 2017 ]

    Direção – Laís Bodanzky
    Brasil, 2017, 1h42m
    Com Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena

    → 19 a 25 de outubro (exceto 22 e 23 de outubro)
    Horário: 19h

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 14 anos

    Sinopse

    Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

    Sobre o filme – Naief Haddad para Folha de São Paulo

    Filme ‘Como Nossos Pais’ se destaca pela naturalidade

    Em meio à instabilidade histórica da produção de filmes no Brasil, o cinema do país enriquece, aos poucos, um filão em que os europeus já exibem uma tradição consolidada ao longo de décadas.

    São os dramas que se concentram na intimidade das relações familiares. No cinema brasileiro, “Eles Não Usam Black-Tie” (1981) e “Lavoura Arcaica” (2001) estão entre os expoentes dessa vertente.

    “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, fortalece essa trilha, conciliando temas ancestrais, como a ligação entre mãe e filha, e questões contemporâneas, caso de anseios e conflitos da mulher neste século, que constituem uma nova (e bem-vinda) onda feminista.

    “Não quero mais fingir que sou uma mulher que dá conta de tudo. Eu não dou conta de tudo”, desabafa Rosa, a jornalista vivida por Maria Ribeiro.

    Aos 38 anos, a protagonista é filha de pais divorciados, ambos intelectuais da classe média paulistana. Emergem novas camadas de sentimentos, sempre ambíguos, na relação dela com a mãe (Clarisse Abujamra), que descobre ter uma doença grave.

    Talvez por insegurança, Rosa reconhece ser mais careta que os pais, característica que molda sua convivência com as duas filhas, crianças próximas da adolescência.

    Mas a crise da personagem não se limita à condição de filha e mãe. O casamento com o antropólogo Dado (Paulo Vilhena) está prestes a ruir. No mais, ela sustenta a casa com um trabalho que a frustra enquanto sufoca o desejo de se tornar dramaturga.

    Algumas mulheres que leem este texto se identificarão com a protagonista. Ou verão suas amigas espelhadas na personagem. Laís Bodanzky, com 47 anos, e Maria Ribeiro, 41, enfrentam dilemas muito semelhantes aos de Rosa.

    Não se trata de uma construção cujo trunfo seja a originalidade. “Como Nossos Pais” se distingue da maior parte dos dramas familiares pela naturalidade expressa nas situações de intimidade e riqueza de matizes a conduzir cada personagem. O filme nos põe dentro do núcleo familiar.

    Sinais sutis conduzem a transformação de Rosa, o que exigia de Maria modulação da sensibilidade. Uma carga emotiva em excesso ou um tom mais austero da atriz resultariam noutro filme, certamente menos interessante.

    Também é notável o desempenho de Clarisse Abujamra como uma mãe impetuosa, que não se constrange pela trajetória à margem das convenções.

    Diretora de filmes como “Bicho de Sete Cabeças” e “As Melhores Coisas do Mundo”, Laís Bodanzky se firma como uma cineasta do seu tempo, especialmente atenta às particularidades do comportamento. Não é pouca coisa.

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  • 19 out 25 out 2017

    Glory [ Primeira Semana ]

    Glory [ Locarno 2017 ]

    Direção – Kristina Grozeva e Petar Valchanov
    Bulgaria, 2017, 101 min
    Com Stefan Denolyubov e Margita Gosheva

    → 19 a 25 de outubro (exceto 22 e 23 de outubro)
    Horário: 20h45

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 14 anos

    Sinopse

    Petrov, um humilde trabalhador ferroviário búlgaro, encontra milhões em dinheiro nos trilhos do trem onde trabalha diariamente. Ele decide entregar toda a quantia para a polícia e é recompensado com um novo relógio de pulso, que logo para de funcionar. Enquanto isso, a arrogante Julia, chefe do departamento de relações públicas do Ministério dos Transportes, perde o velho relógio de Petrov, uma relíquia familiar, que ela teria guardado no momento da homenagem. Este é o começo da luta desesperada do homem para recuperar seu antigo relógio e sua dignidade.

    Sobre o filme – Sérgio Alpendre para a Folha de São Paulo

    Comédia búlgara ‘Glory’ trata de corrupção política e dignidade

    Tzanko Petrov é um homem simples. Ferroviário, um dia encontra um belo montante de dinheiro nos trilhos e resolve entregar à polícia. Seu ato exemplar se torna midiático, e chama também a atenção do Ministério dos Transportes, que resolve lhe conceder um prêmio.

    Julia Staykova é encarregada das Relações Públicas do ministro. Ela leva Tzanko para um encontro com o político. Mas Julia não se importa com Tzanko. Está mais preocupada com as exigências do marido, que quer um filho.

    Durante o encontro, ela fica com o relógio de pulso de Tzanko e o perde. Era um relógio especial, presente de família. Tzanko não está nem aí para a parafernália em torno dele. Quer o relógio antigo, o que é compreensível.

    Este é um resumo da trama de “Glory”, comédia búlgara que ganhou alguns prêmios em festivais de menor expressão. A direção é de Kristina Grozeva e Petar Valchanov, também autores do roteiro, com Decho Taralezhkov.

    A premissa é boa. Serve sobretudo a uma sátira de costumes. O que é um relógio de pulso para uma executiva? Pois é tudo para quem o ganhou como um presente familiar. Temos aí uma fábula sobre a indiferença e a dignidade.

    Temos também a corrupção política. Vemos a sede doentia pelo poder e o que se faz quando se quer manter no poder a qualquer custo.

    Os atores principais estão bem. Stefan Denolyubov nos faz acreditar em seu personagem Tzanko, na força de sua simplicidade e em seu caráter. Margita Gosheva compõe uma Julia forte, com espírito de liderança, mas também inescrupulosa, egoísta.

    Graças à relação entre esses dois personagens, os diretores conseguem alguns momentos interessantes, principalmente pela oposição entre suas personalidades.

    Um problema está na câmera que treme desnecessariamente em algumas cenas, como se quisesse berrar uma suposta contemporaneidade. É uma fórmula estética deturpada de uma ideia equivocada de modernidade.

    O desleixo, como quase sempre acontece, tira a potência de algumas cenas, tornando-as corriqueiras, documentais. Quando não importa muito “como” se filma, o “que” se filma fica enfraquecido.

    Mas há um uso muito interessante da relação entre o que se mostra e o que se esconde, além da inteligência nas relações de causa e efeito, como quando Julia está no hospital e vê pela TV uma declaração bombástica de Tzanko. É por esses detalhes que vale a pena ver “Glory”.

    Detalhes

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