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Praça Ruy Barbosa, 104 | Centro
Belo Horizonte | MG | 30.160-000
Telefone: (31) 3222-6457
contato@centoequatro.org

Funcionamento:
Café 104, Cine 104 e espaços multiuso: consulte a programação

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Programação

  • 18 mai 24 mai 2017

    ÉDEN + BEDUINO [ SESSÃO DUPLA - 2ª SEMANA ]

    Éden + Beduino [ Sessão dupla ]

    → 18 a 24 de maio
    Horário: 16h40

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)

    Como a sessão é dupla, o público paga apenas um ingresso e pode assistir Éden, que tem início às 16h40, e Beduíno às 18h. No dia 19 de maio, será exibido apenas o filme Beduino (16h40) em razão da primeira sessão semanal no Cine 104.

    [ Éden ] Direção: Bruno Safadi | Brasil, 2016, 1h15m | Classificação indicativa: 12 anos

    Sinopse: Rio de Janeiro, 2012. Karine (Leandra Leal) está grávida de oito meses e sofre um grande baque quando o pai da criança, Francisco, é assassinado. Desamparada, ela aceita a oferta de seu irmão, Wagner (Júlio Andrade), para que vá a um culto na Igreja Evangélica do Éden. Lá ela encontra o pastor Naldo (João Miguel), que prega uma vida dedicada a Jesus Cristo. Apesar de estranhar a devoção dos presentes, Karine acaba aceitando a ajuda do pastor e passa a integrar seu rebanho.

    Com Leandra Leal, João Miguel, Júlio Andrade

    [ Beduino ] Direção Júlio Bressane | Brasil, 2016, 1h15m | Classificação indicativa 12 anos

    Sinopse: Um curioso casal de dramaturgos leva a vida através da arte, onde cada um dos atos das suas existências representam certa conexão entre a vida real e o que é encenado. Com repetições e múltiplas representações entrelaçadas, dentro de um cenário de luz e sombras, a esperança e o desespero se misturam.


    Selecionado para os Festivais de Locarno, Roterdã e Brasília em 2016
    Com Alessandra Negrini, Fernando Eiras

    Para ler mais sobre Éden

    Para ler mais sobre Beduino

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  • 18 mai 24 mai 2017

    TAEGO ÃWA [ SEGUNDA SEMANA ]

    Taego Ãwa [ Selecionado para o Festival de Tiradentes e Cinemá du Réel em 2016 ]

    Direção –   Marcela e Henrique Borela
    Brasil, 2013, 1h15m

    → 18 a 24 de maio (exceto 19, 21 e 22 de maio)
    Horário: 19H20

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação Livre

    Sinopse

    Na faculdade, uma dupla de cineasta encontrou cinco fitas VHS contendo registros culturais da tribo Ãwa. Reunindo outros materiais, eles partem em busca do grupo, apresentando as imagens pela primeira vez e descobrindo a trajetória de enfrentamento com o povo branco desde 1973. Hoje, os Ãwa lutam pela demarcação e restituição de suas terras.

    Sobre o filme – Juliano Gomes para Cinética

    Da importância da imagem selvagem

    Nesses dez anos que nos separam do lançamento de Serras de Desordem (2006), a produção de imagens a partir dos modos de vida de tribos indígenas se consolidou como um campo de pesquisa ainda ascendente, para além dos domínios confinados ao chamado “filme etnográfico”. Mas a consolidação desse segmento nem sempre é acompanhada de uma mudança radical nas formas de abordagem a partir do paradigma estabelecido por Andrea Tonacci. Não parece necessário citar exemplos específicos para observar uma constante reverência que parece impedir a muitos filmes um engajamento direto no trabalho com as imagens. A situação de permanente injustiça política e agressão real e simbólica parecem resultar, no campo da exploração artística, numa certa timidez no tratamentom em um excesso de chapa branca que coloca a batalha estética em segundo plano. Isto posto, é flagrante que Taego Ãwa se alinhe com as exceções a esta tendência.

    Não por acaso, o que dispara a produção do filme é a descoberta de arquivos com imagens dos Ãwa. No caso dessa tribo específica, há uma série de características curiosamente muito afeitas a um trabalho com as imagens. Os Ãwa, já chamados de “índios invisíveis”, parecem não só marcados pela permanente violência e violação de seus direitos, mas também por uma recorrente questão de visibilidade e invisibilidade. Pelo seu histórico de reclusão e contato tardio com a sociedade branca, a tribo parece alimentar um certo apetite genocida de faze-los visíveis (cujo episódio da invasão de 1973, retratado pelo filme, articula bem, já ligando violência física e imagética). De certa maneira, a resistência dos Ãwa parece ser uma resistência dupla: a de se fazer visto e a de fixar uma identidade ou uma “natureza”. O filme sugere, via acúmulo de um histórico de agressões físico-imagéticas, que o que parece “natural”, sua “cultura original” (conceitos cordialmente genocidas, já que cultura é processo e troca), é justamente a mutação como resistência: índios que se juntam, se separam, migram, remigram, se misturam com outra tribo por espontânea vontade. Na cultura e nas imagens, a pureza é um mito branco.
    Diante desse espaço simbólico a ocupar, o filme de Henrique e Marcela Borela compreende que a justiça verdadeira (o exato inverso da “verdade”) se faz com trabalho, corte, rearticulação e reorganização das forças a partir de regras próprias. Se ao final não sabemos com muita exatidão uma profusão de costumes tradicionais desse povo “sem imagem” (violentado pelo excesso delas), sabemos o suficiente para entender que a instância que liga as operações do filme às dos personagens é a de um investimento na invenção narrativa, no rearranjo das forças existentes como afirmação de multinatureza, impura, mexida, alterada, artificial, e, à sua maneira, justa.

    Entre a variação de exploração de um cotidiano claramente narrativizado (planos com raccord espacial; ações que se desdobram em pequenas fases; arquivo aparentemente sonorizado) e o investimento nos materiais de arquivo, a cena que parece funcionar como um centro pulsante do filme é uma cena de caça. O que parece surpreendente é como tal sequência entra no fluxo do filme, ressignificando as narrativas anteriores, que tratam de invasões, massacres e pequenos entrechos cotidianos atuais. Se o filme sugere desde a entrada um tratamento que opta pela exploração plástica deliberada do que mostra, uma cena aparentemente clássica, em termos de decupagem, reafirma este desejo e o reconfigura para além. A sucessão de planos e contraplanos do índio à espreita e do veado que será abatido, as gradações da escala de plano, a tenacidade do índio, as esperas, a ambígua inocência do animal, a camada sonora entre o neutro e atmosférico, constroem um estranho ápice para um trabalho igualmente interessado em narrar um cotidiano de atrocidades sofridas por um povo. Porém, na construção dessa perseguição entre diferentes seres, que resulta na agonia e morte lenta de um deles, abre-se um espaço significante onde as relações adquirem outro status.

    Ao mostrar um índio, que o filme caracteriza como permanentemente caçado e perseguido, ocupando uma posição inversa (caçando, matando, sendo, moralmente falando, “frio” e “cruel”), Taego Ãwa constrói uma dupla operação. Por um lado há uma função etnográfica clássica de desenhar um modo de sobrevivência onde caçar é elemento central. Secundariamente há uma redistribuição dos papéis no campo das imagens, na medida que a meticulosa decupagem destaca a sequência do corpo do filme pelo sobreinvestimentonarrativo. O que faz nesse filme uma longa cena do abatimento de um animal até sua morte sob a lama (evocando tanto a gramática rouchiana quanto mecanismos clássicos de construção de suspense e desenlace)? O que resulta é uma espécie de fábula sobre a morte, onde se estabelece uma necessidade da violência, cujo limite é uma medida sutil de cumplicidade entre as partes. Mais do que aniquilação, o que vemos ali é uma estranha adequação dos ritmos, a coreografia do índio entrando na duração do animal, tornando-se o animal. É essa a reversibilidade que importa aqui, esse esforço, possível e impossível de mudar de forma. No campo das imagens, quem mata e quem morre é uma questão secundária; o que é necessário é o trabalho nas formas, na composição de sua metamorfose, o que só se constrói com atenção e despudor de lançar-se.

    Se há eventualmente uma inconsistência de tom entre a afirmação militante e uma ambientação reticente, o que parece se destacar na experiência de Taego Ãwa é a necessidade de invenção e afirmação para as guerras das imagens e dos significados.

    A desenvoltura do trabalho com os arquivos, em modulações bastante distintas entre as sequências, cada uma com sua lógica própria, não encontra trabalho à altura na articulação dos materiais atuais. Uma sugestão de teatralização do espaço, numa sequência de subjetiva de uma TV e no “falso final” da demarcação da terra com a placa, parece permanecer como terreno para onde o filme poderia seguir e construir um outro eixo de encenação cujo choque com as sequências de arquivo erigiria reação ainda mais explosiva, destruindo qualquer vestígio de “natureza” ou “registro”. Mas, em relação a seus pares imediatos, Taego Ãwa parece se colocar em um lugar de destaque ao tomar para si a tarefa da violência inerente de um corte; para construir, na imagem, um espaço que projete a justiça de um mundo aparentemente impossível, que aqui, diante de nós, resiste.

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  • 18 mai 24 mai 2017

    EU, OLGA HEPNAROVÁ [ESTREIA EXCLUSIVA CINE 104]

    Eu, Olga Hepnarová [ Abertura do festival de Berlin em 2016 ]

    Direção –  Petr Kazda e Tomás Weinreb
    República Tcheca, Polônia, Eslováquia, França – 2016, 1h46m
    Com Michalina Olszanska, Martin Pechlát, Klára Melísková

    → 18 a 24 de maio (exceto 19, 21 e 22 de maio)
    Horário: 20h40

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 16 anos

    Sinopse

    Olga Hepnarova (Michalina Olszanska) é uma jovem que cresceu numa família que nunca a aceitou, por ser homossexual. Atacada e pressionada por todos os lados pela sociedade, Olga começa a isolar-se ainda mais em seu próprio mundo. Alienada e solitária, Olga fará escolhas trágicas que a levarão a cometer atos que marcaram a história.

    Sobre o filme – Diego Olivares para Carta Capital

    A personagem título de Eu, Olga Hepnarová é uma garota franzina, de ombros curvados pelo peso dos demônios que carregava nas costas. Tais demônios, acumulados e até cultivados internamente por não mais do que 23 anos resultaram em um ato trágico, que motivou sua pena de morte. Olga Hepnoravá foi a última mulher a receber esta sentença na então Tchecoslováquia, sendo executada em março de 1975, após atropelar com um caminhão dezenas de pessoas em uma praça pública localizada em Praga, no dia 10 de julho de 1973.

    Antes do ataque, escreveu a seguinte carta aberta: “Eu sou uma solitária. Uma mulher destruída. Uma mulher destruída pelas pessoas… Eu tenho uma escolha – me matar ou matar outras pessoas. Eu escolho me vingar de quem me odeia. Seria muito fácil deixar este mundo como uma vítima anônima de suicídio. A sociedade é muito indiferente a isso, e com razão. Meu veredito é: Eu, Olga Hepnarová, a vítima de sua bestialidade, sentencio vocês à morte”.

    O filme dirigido pela dupla Petr Kazda e Tomás Weinreb acompanha, de forma ficcionalizada, os últimos anos em liberdade da personagem. Desde a relação distante com os pais, até as experiências sexuais conflituosas, já que a personagem era lésbica em um ambiente extremamente machista como a companhia de motoristas para a qual trabalhava.

    “Ela não é uma vilã, mas parecida com um animal aprisionado em uma jaula de seus próprios medos”, define a atriz polonesa Michalina Olszanska, que interpreta Olga.

    Em Eu, Olga Hepnarová, suas feições lembram as de Natalie Portman, dosando uma aparente vulnerabilidade com olhares determinados, capazes de intimidar. Prestes a completar 25 anos, ela é uma das atrizes mais requisitadas do Leste Europeu.

    Ano passado esteve em outro filme que, assim como Olga, também participou da Mostra de Cinema de São Paulo, A Atração. Este é um musical de terror premiado no Festival de Sundance-2016, sobre duas sereias que chegam à terra firme e passam a ser exploradas pelo dono de uma casa noturna, que as contrata como cantoras. Uma delas se apaixona por um humano, enquanto a outra, interpretada por Michalina, tem uma insaciável sede de sangue.

    O tom extravagante e surrealista de A Atração, longa de estreia da cineasta Agnieszka Smoczynska, contrasta com o estoicismo quase documental de Olga, dois trabalhos que foram filmados com poucos meses de diferença. “Tenho obsessão por mudanças, simplesmente adoro quando as pessoas dizem não ter me reconhecido em um filme.”

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  • 25 mai 31 mai 2017

    EU, OLGA HEPNAROVÁ [ SEGUNDA SEMANA ]

    Eu, Olga Hepnarová [ Abertura do festival de Berlin em 2016 ]

    Direção –  Petr Kazda e Tomás Weinreb
    República Tcheca, Polônia, Eslováquia, França – 2016, 1h46m
    Com Michalina Olszanska, Martin Pechlát, Klára Melísková

    → 25 a 31 de maio (exceto 27, 28 e 29 de maio)
    Horário: 16h40

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 16 anos

    Sinopse

    Olga Hepnarova (Michalina Olszanska) é uma jovem que cresceu numa família que nunca a aceitou, por ser homossexual. Atacada e pressionada por todos os lados pela sociedade, Olga começa a isolar-se ainda mais em seu próprio mundo. Alienada e solitária, Olga fará escolhas trágicas que a levarão a cometer atos que marcaram a história.

    Sobre o filme – Diego Olivares para Carta Capital

    A personagem título de Eu, Olga Hepnarová é uma garota franzina, de ombros curvados pelo peso dos demônios que carregava nas costas. Tais demônios, acumulados e até cultivados internamente por não mais do que 23 anos resultaram em um ato trágico, que motivou sua pena de morte. Olga Hepnoravá foi a última mulher a receber esta sentença na então Tchecoslováquia, sendo executada em março de 1975, após atropelar com um caminhão dezenas de pessoas em uma praça pública localizada em Praga, no dia 10 de julho de 1973.

    Antes do ataque, escreveu a seguinte carta aberta: “Eu sou uma solitária. Uma mulher destruída. Uma mulher destruída pelas pessoas… Eu tenho uma escolha – me matar ou matar outras pessoas. Eu escolho me vingar de quem me odeia. Seria muito fácil deixar este mundo como uma vítima anônima de suicídio. A sociedade é muito indiferente a isso, e com razão. Meu veredito é: Eu, Olga Hepnarová, a vítima de sua bestialidade, sentencio vocês à morte”.

    O filme dirigido pela dupla Petr Kazda e Tomás Weinreb acompanha, de forma ficcionalizada, os últimos anos em liberdade da personagem. Desde a relação distante com os pais, até as experiências sexuais conflituosas, já que a personagem era lésbica em um ambiente extremamente machista como a companhia de motoristas para a qual trabalhava.

    “Ela não é uma vilã, mas parecida com um animal aprisionado em uma jaula de seus próprios medos”, define a atriz polonesa Michalina Olszanska, que interpreta Olga.

    Em Eu, Olga Hepnarová, suas feições lembram as de Natalie Portman, dosando uma aparente vulnerabilidade com olhares determinados, capazes de intimidar. Prestes a completar 25 anos, ela é uma das atrizes mais requisitadas do Leste Europeu.

    Ano passado esteve em outro filme que, assim como Olga, também participou da Mostra de Cinema de São Paulo, A Atração. Este é um musical de terror premiado no Festival de Sundance-2016, sobre duas sereias que chegam à terra firme e passam a ser exploradas pelo dono de uma casa noturna, que as contrata como cantoras. Uma delas se apaixona por um humano, enquanto a outra, interpretada por Michalina, tem uma insaciável sede de sangue.

    O tom extravagante e surrealista de A Atração, longa de estreia da cineasta Agnieszka Smoczynska, contrasta com o estoicismo quase documental de Olga, dois trabalhos que foram filmados com poucos meses de diferença. “Tenho obsessão por mudanças, simplesmente adoro quando as pessoas dizem não ter me reconhecido em um filme.”

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  • 25 mai 31 mai 2017

    PATERSON [ PRIMEIRA SEMANA ]

    Paterson [ Primeira Semana ]

    Direção –  Mariano Cohn e Gastón Duprat
    EUA, 2016, 1h58min
    Com Adam Driver, Golshifteh Farahani, Rizwan Manji

    → 25 a 31 de maio (exceto 26, 27, 28 e 29 de maio)
    Horário: 18h30

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação 12 anos

    Sinopse

    Na cidade de Paterson, em Nova Jersey – EUA, Paterson (Adam Driver), um pacato motorista de ônibus local, vira um personagem conhecido por se destacar em uma arte diferente da condução de veículos: o rapaz é também um poeta.

    Sobre o filme – Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

    O que é a poesia? Algo que afasta as pessoas da realidade, ou, pelo contrário, as aproxima do que é essencial? Eis aí uma velha questão, contraintuitiva, que desafia o senso comum. Para este, poetas são seres distanciados da vida prática, lunáticos, sonhadores. Para um poeta de verdade, como Lautréamont, pelo contrário, nada mais prático do que uma boa poesia, pois aproxima o homem do mundo, do qual ele se distancia na luta cotidiana. São temas que podem ser encontrados neste belo, original e docemente emocionante Paterson, de Jim Jarmusch.

    Sim, Paterson (Adam Driver) é um motorista de ônibus na cidade de … Paterson. Essa redundância é o primeiro achado poético do filme. Depois, de maneira inesperada, Paterson também acaba por escrever poesias. E, mais, vive poeticamente. Ou seja, tem contato com as coisas, na contramão da maneira distanciada e voltada para si que passa por normalidade em nossos dias.

    Paterson, o homem, é tão poético que escreve poesias sem qualquer pretensão de ser publicado, ficar famoso, ganhar dinheiro. É como se escrevesse para si em primeiro lugar, o que é boa definição do que seja vocação literária. Se alguém precisa escrever, se o impulso para a escrita nada tem de pragmático, mas expressa apenas sua necessidade interior, então sim se pode dizer que se é um escritor. Aliás, era um dos conselhos que Rilke dava ao jovem poeta. Se conseguir não escrever, não escreva. Se não tiver jeito de evitar, então você é um poeta.

    Paterson é um pouco assim. Vive sua rotina, mora com sua esposa, Laura (Golshifteh Farahani), e um cão. Ela tem veleidades artísticas, mas não sabe bem o que fazer, se cozinha ou toca música country. A cidade é pequena, os moradores se conhecem pelo nome, a rotina é bem determinada. Vidas pequenas, como todas.

    No entanto, Jarmusch consegue impregnar essa rotina de certa aura, de modo que, em vez de parecer melancólico, soa apenas como evocação de paz – esta outra palavra em desuso e que pode ter até conotação negativa num mundo que valoriza o conflito, o movimento incessante, a competição como valor indiscutível e obrigatório. Paz parece coisa de gente preguiçosa ou derrotada pela engrenagem implacável do contemporâneo. “Zona de conforto” virou expressão de tamanho negativismo que nos esquecemos que muito do esforço humano se deve justamente à busca pelo conforto e pelo apaziguamento.

    De modo que o filme, de maneira sutil e suave, nos leva a pensar a contrapelo, em outra dimensão. E o faz de maneira sábia, nada boboca, sem assumir ares dessa picaretagem bem-sucedida chamada “autoajuda”. Mergulha no poético, e não apenas em seu enredo. Jarmusch busca um estilo visual apurado e plácido, de cores definidas, porém nunca gritantes. Joga sobre a tela as letras de que se compõe a poesia do protagonista, forma, talvez, de lembrar que a poesia depende da materialidade da escrita. Tudo é exposto sem pressa, sem angústia, sem qualquer vontade de impor ou convencer. Se o estilo é o homem, o estilo de Paterson define o filme.

    No fundo, há algo de zen, de piada iluminadora, do koan que, pelo absurdo, leva ao insight. Como artista do minimalismo, o diretor de filmes como Daunbailó, Estranhos no Paraíso e Dead Man dá, com Paterson, uma piscadela para Yasujiro Ozu, o mestre japonês que achava que a rotina tem lá seus encantos. A poética do simples é um bonito antídoto aos excessos alienantes do mundo contemporâneo.

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  • 25 mai 31 mai 2017

    O CIDADÃO ILUSTRE [ PRIMEIRA SEMANA ]

    O cidadão Ilustre [ Indicado ao Oscar em 2016 ]

    Direção –  Mariano Cohn e Gastón Duprat
    Argentina, 2016, 1h57m
    Com Oscar Martinez, Dady Brieva, Andrea Frigerio

    → 25 a 31 de maio (exceto 26, 27, 28 e 29 de maio)
    Horário: 20h30

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação 12 anos

    Sinopse

    Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, radicado há 40 anos na Europa, volta à sua terra natal, ao povoado onde nasceu e que inspirou a maioria de seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade – um dos únicos prêmios que aceitou receber. No entanto, sua ilustre visita desencadeará uma série de situações complicadas entre ele e o povo local.

    Sobre o filme – Alysson Oliveira, do Cineweb

    Daniel Mantovani (Oscar Martínez) é um escritor argentino sem meios-termos. Quando ganha o Nobel de Literatura, vai à cerimônia em Estocolmo, mas não faz a reverência aos monarcas, não usa roupa de gala e faz um discurso ácido sobre o papel de um prêmio dessa envergadura e de como isso é prejudicial a um artista – a premiação significa que ele foi aceito pelo establishment: “A canonização é fatal”, conclui.

    Esse é o protagonista da comédia argentina “O Cidadão Ilustre”, da dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn (os mesmos diretores de “O Homem ao Lado”). Vivendo na Europa há quatro décadas, Daniel não volta à sua pequena cidade natal desde quando a abandonou.

    O lugar, Salas, fica a cerca de 7 horas de Buenos Aires, tem poucos habitantes e uma mentalidade provinciana. Por isso, ele reluta em revisitá-la quando recebe um convite para ser agraciado com a homenagem que dá nome ao filme.

    Ele acaba aceitando o convite, apesar de uma série de exigências (sem beijos ou abraços, a imprensa não pode saber que ele está lá, entre outras coisas).

    No aeroporto de Buenos Aires, é recebido por um tipo estranho com um carro velho, que quebra no meio da estrada, obrigando-os a passar a noite por ali.

    Quando finalmente chegam a Salas, o escritor é recebido pelo prefeito (Manuel Vicente), que comenta sua agenda de eventos durante os poucos dias que ficará na cidade. O primeiro deles é dali a pouco: uma aula aberta. E, por mais que relute, será levado num desfile em carro de bombeiros ao lado da miss local.

    Duprat e Cohn miram no humor construído a partir da tensão entre a sofisticação de Daniel e a simplicidade dos moradores de Salas. O que muitos ali parecem não saber é que a cidade e seus antigos habitantes serviram de cenário e inspiração para personagens dos romances e contos dele – e os retratos nem sempre são lisonjeiros. Mas isso os “salenses” logo ficarão sabendo.

    Trabalhando com roteiro de Andrés Duprat (irmão de Gastón), a dupla de diretores também traça um retrato pouco amável das pessoas daquela cidadezinha. Dividem-se entre interesseiros, invejosos e fãs de Daniel, embora, bem provavelmente, a maioria nunca tenha lido um livro dele – por isso é tamanha a surpresa quando se descobre o que ele diz sobre Salas.

    O efeito cômico vem das expectativas de ridículo que o filme potencializa na distinção entre Daniel e Salas. Logo depois de sua chegada, durante a homenagem, a exibição de um vídeo amador e (supostamente) cafona conta a vida do protagonista, quando criança chamado de Titi, enquanto morava ali até que saiu para ganhar o mundo.

    É um momento engraçado do filme, mas que sintetiza em si a forma como quase todos da cidade são ridicularizados.

    Em Salas, poucos se salvam. O prefeito é oportunista, o antigo melhor amigo de Daniel (Dady Brieva) casou-se com a ex-namorada do escritor (Andrea Frigerio) e enriqueceu levando turistas para caçar porcos selvagens. Há também um pintor local (Marcelo D’Andrea), que será o maior opositor de Daniel. Os personagens são todos, por assim dizer, excêntricos – falta alguém mais “normal” para dar um contraponto a toda a esquisitice.

    Cinematograficamente, “O Cidadão Ilustre” não é muito empenhado.

    Sua imagem parece pouco cuidada, assim como a câmera e afins – em alguns momentos, mais parece uma produção para a TV. Sua discussão sobre autonomia da arte é superficial e parece um tanto deslocada aqui. Ainda assim, é inegável que há bons momentos de humor e uma grande interpretação de Martínez.

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  • 26 mai 2017

    A MULHER QUE SE FOI [ SEGUNDA SESSÃO SEMANAL ]

    A mulher que se foi [ Leão de Ouro na Mostra de Cinema de Veneza, em 2016 ]

    Direção –  Lav Diaz
    Filipinas, DCP, 2016, 228 min. 
    Com Miss Charo Santos-Concio, John Lloyd Cruz, Michael de Mesa, Shamaine Centenera-Buencamino, Nonie Buencamino, Marj Lorico, Mayen Estanero, Romelyn Sale, Lao Rodriguez, Jean Judith Javier, Mae Paner, Kakai Bautista

    → 26 de maio (sexta-feira)
    Horário: 18H30

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa – 12 anos

    Sinopse

    Horacia passou os últimos 30 anos numa penitenciária feminina. Ex-professora de escola primária, ela leva uma vida tranquila ajudando suas companheiras a praticarem a leitura e a escrita. Quando outra detenta confessa ter cometido o crime original, Horacia é libertada e parte em busca de sua família então distante. Enquanto procura pelo filho desaparecido, Junior, Horacia descobre novamente sua terra natal – as Filipinas do final dos anos 1990 –, apenas para concluir que seus habitantes vivem aterrorizados pela corrupção e sequestros desenfreados. Sua personalidade generosa fica contaminada por sentimentos de vingança.

    Sobre o diretor

    Lavrente Indico Diaz, também conhecido por Lav Diaz, nasceu em 30 de dezembro de 1958, nas Filipinas e foi criado em Cotabato, Mindanao. Trabalha como diretor, escritor, produtor, editor, diretor de fotografia, poeta, compositor, designer de produção e ator. Estudou Cinema no Mowelfund Film Institute, nas Filipinas. Reconhecido pela duração de seus filmes, alguns dos quais chegam a durar até 11 horas, Diaz rege suas obras não pelo tempo, mas, sim, pelo espaço e pela natureza. Elas abordam as lutas sociais e políticas do seu país e lhe renderam a admiração do circuito internacional dos festivais.

    Desde 1998, já dirigiu cerca de 16 longas de ficção, além de curtas e documentários, e conquistou os mais importantes prêmios internacionais. Em 2007, Death in the Land of Encantos recebeu na Mostra de Veneza, na seção Orizzonti, Menção Especial – Venice Horizons Award. No ano seguinte, Melancholia, na mesma seção Orizzonti, ganhou o Venice Horizons Award. Em 2013, Norte, fim da história foi exibido na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Em 2014, Do que vem antes (From What is Before) ganhou o Leopardo de Ouro, no Festival de Locarno. Em 2016, Hele sa Hiwagang Hapis (A Lullaby to the Sorrowful Mystery) foi agraciado com o Urso de Prata Alfred Bauer no Festival de Berlim.

    Filmografia

    Ang babaeng humayo | A Mulher que se foi (2016)
    A Lullaby to the Sorrowful Mystery (2016)
    Do Que Vem Antes (2014)
    Norte, O Fim da História (2013)
    Florentina Hubaldo, CTE (2012)
    Century of Birthing (2011)
    Elegy to the Visitor from the Revolution (2011)
    Melancholia (2008)
    Death in the Land of Encantos (2007)
    Heremias: Book One – The Legend of the Lizard Princess (2006)
    Evolution of a Filipino Family (2004)
    Hesus, Revolucionário (2002)
    Batang West Side (2001)
    Nua Sob a Lua (1999)
    Burger Boys (1999)
    Serafin Geronimo: Criminal of Barrio Concepcion (1998)

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  • 18 mai 24 mai 2017

    ÉDEN + BEDUINO [ SESSÃO DUPLA - 2ª SEMANA ]

    Éden + Beduino [ Sessão dupla ]

    → 18 a 24 de maio
    Horário: 16h40

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)

    Como a sessão é dupla, o público paga apenas um ingresso e pode assistir Éden, que tem início às 16h40, e Beduíno às 18h. No dia 19 de maio, será exibido apenas o filme Beduino (16h40) em razão da primeira sessão semanal no Cine 104.

    [ Éden ] Direção: Bruno Safadi | Brasil, 2016, 1h15m | Classificação indicativa: 12 anos

    Sinopse: Rio de Janeiro, 2012. Karine (Leandra Leal) está grávida de oito meses e sofre um grande baque quando o pai da criança, Francisco, é assassinado. Desamparada, ela aceita a oferta de seu irmão, Wagner (Júlio Andrade), para que vá a um culto na Igreja Evangélica do Éden. Lá ela encontra o pastor Naldo (João Miguel), que prega uma vida dedicada a Jesus Cristo. Apesar de estranhar a devoção dos presentes, Karine acaba aceitando a ajuda do pastor e passa a integrar seu rebanho.

    Com Leandra Leal, João Miguel, Júlio Andrade

    [ Beduino ] Direção Júlio Bressane | Brasil, 2016, 1h15m | Classificação indicativa 12 anos

    Sinopse: Um curioso casal de dramaturgos leva a vida através da arte, onde cada um dos atos das suas existências representam certa conexão entre a vida real e o que é encenado. Com repetições e múltiplas representações entrelaçadas, dentro de um cenário de luz e sombras, a esperança e o desespero se misturam.


    Selecionado para os Festivais de Locarno, Roterdã e Brasília em 2016
    Com Alessandra Negrini, Fernando Eiras

    Para ler mais sobre Éden

    Para ler mais sobre Beduino

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  • 18 mai 24 mai 2017

    TAEGO ÃWA [ SEGUNDA SEMANA ]

    Taego Ãwa [ Selecionado para o Festival de Tiradentes e Cinemá du Réel em 2016 ]

    Direção –   Marcela e Henrique Borela
    Brasil, 2013, 1h15m

    → 18 a 24 de maio (exceto 19, 21 e 22 de maio)
    Horário: 19H20

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação Livre

    Sinopse

    Na faculdade, uma dupla de cineasta encontrou cinco fitas VHS contendo registros culturais da tribo Ãwa. Reunindo outros materiais, eles partem em busca do grupo, apresentando as imagens pela primeira vez e descobrindo a trajetória de enfrentamento com o povo branco desde 1973. Hoje, os Ãwa lutam pela demarcação e restituição de suas terras.

    Sobre o filme – Juliano Gomes para Cinética

    Da importância da imagem selvagem

    Nesses dez anos que nos separam do lançamento de Serras de Desordem (2006), a produção de imagens a partir dos modos de vida de tribos indígenas se consolidou como um campo de pesquisa ainda ascendente, para além dos domínios confinados ao chamado “filme etnográfico”. Mas a consolidação desse segmento nem sempre é acompanhada de uma mudança radical nas formas de abordagem a partir do paradigma estabelecido por Andrea Tonacci. Não parece necessário citar exemplos específicos para observar uma constante reverência que parece impedir a muitos filmes um engajamento direto no trabalho com as imagens. A situação de permanente injustiça política e agressão real e simbólica parecem resultar, no campo da exploração artística, numa certa timidez no tratamentom em um excesso de chapa branca que coloca a batalha estética em segundo plano. Isto posto, é flagrante que Taego Ãwa se alinhe com as exceções a esta tendência.

    Não por acaso, o que dispara a produção do filme é a descoberta de arquivos com imagens dos Ãwa. No caso dessa tribo específica, há uma série de características curiosamente muito afeitas a um trabalho com as imagens. Os Ãwa, já chamados de “índios invisíveis”, parecem não só marcados pela permanente violência e violação de seus direitos, mas também por uma recorrente questão de visibilidade e invisibilidade. Pelo seu histórico de reclusão e contato tardio com a sociedade branca, a tribo parece alimentar um certo apetite genocida de faze-los visíveis (cujo episódio da invasão de 1973, retratado pelo filme, articula bem, já ligando violência física e imagética). De certa maneira, a resistência dos Ãwa parece ser uma resistência dupla: a de se fazer visto e a de fixar uma identidade ou uma “natureza”. O filme sugere, via acúmulo de um histórico de agressões físico-imagéticas, que o que parece “natural”, sua “cultura original” (conceitos cordialmente genocidas, já que cultura é processo e troca), é justamente a mutação como resistência: índios que se juntam, se separam, migram, remigram, se misturam com outra tribo por espontânea vontade. Na cultura e nas imagens, a pureza é um mito branco.
    Diante desse espaço simbólico a ocupar, o filme de Henrique e Marcela Borela compreende que a justiça verdadeira (o exato inverso da “verdade”) se faz com trabalho, corte, rearticulação e reorganização das forças a partir de regras próprias. Se ao final não sabemos com muita exatidão uma profusão de costumes tradicionais desse povo “sem imagem” (violentado pelo excesso delas), sabemos o suficiente para entender que a instância que liga as operações do filme às dos personagens é a de um investimento na invenção narrativa, no rearranjo das forças existentes como afirmação de multinatureza, impura, mexida, alterada, artificial, e, à sua maneira, justa.

    Entre a variação de exploração de um cotidiano claramente narrativizado (planos com raccord espacial; ações que se desdobram em pequenas fases; arquivo aparentemente sonorizado) e o investimento nos materiais de arquivo, a cena que parece funcionar como um centro pulsante do filme é uma cena de caça. O que parece surpreendente é como tal sequência entra no fluxo do filme, ressignificando as narrativas anteriores, que tratam de invasões, massacres e pequenos entrechos cotidianos atuais. Se o filme sugere desde a entrada um tratamento que opta pela exploração plástica deliberada do que mostra, uma cena aparentemente clássica, em termos de decupagem, reafirma este desejo e o reconfigura para além. A sucessão de planos e contraplanos do índio à espreita e do veado que será abatido, as gradações da escala de plano, a tenacidade do índio, as esperas, a ambígua inocência do animal, a camada sonora entre o neutro e atmosférico, constroem um estranho ápice para um trabalho igualmente interessado em narrar um cotidiano de atrocidades sofridas por um povo. Porém, na construção dessa perseguição entre diferentes seres, que resulta na agonia e morte lenta de um deles, abre-se um espaço significante onde as relações adquirem outro status.

    Ao mostrar um índio, que o filme caracteriza como permanentemente caçado e perseguido, ocupando uma posição inversa (caçando, matando, sendo, moralmente falando, “frio” e “cruel”), Taego Ãwa constrói uma dupla operação. Por um lado há uma função etnográfica clássica de desenhar um modo de sobrevivência onde caçar é elemento central. Secundariamente há uma redistribuição dos papéis no campo das imagens, na medida que a meticulosa decupagem destaca a sequência do corpo do filme pelo sobreinvestimentonarrativo. O que faz nesse filme uma longa cena do abatimento de um animal até sua morte sob a lama (evocando tanto a gramática rouchiana quanto mecanismos clássicos de construção de suspense e desenlace)? O que resulta é uma espécie de fábula sobre a morte, onde se estabelece uma necessidade da violência, cujo limite é uma medida sutil de cumplicidade entre as partes. Mais do que aniquilação, o que vemos ali é uma estranha adequação dos ritmos, a coreografia do índio entrando na duração do animal, tornando-se o animal. É essa a reversibilidade que importa aqui, esse esforço, possível e impossível de mudar de forma. No campo das imagens, quem mata e quem morre é uma questão secundária; o que é necessário é o trabalho nas formas, na composição de sua metamorfose, o que só se constrói com atenção e despudor de lançar-se.

    Se há eventualmente uma inconsistência de tom entre a afirmação militante e uma ambientação reticente, o que parece se destacar na experiência de Taego Ãwa é a necessidade de invenção e afirmação para as guerras das imagens e dos significados.

    A desenvoltura do trabalho com os arquivos, em modulações bastante distintas entre as sequências, cada uma com sua lógica própria, não encontra trabalho à altura na articulação dos materiais atuais. Uma sugestão de teatralização do espaço, numa sequência de subjetiva de uma TV e no “falso final” da demarcação da terra com a placa, parece permanecer como terreno para onde o filme poderia seguir e construir um outro eixo de encenação cujo choque com as sequências de arquivo erigiria reação ainda mais explosiva, destruindo qualquer vestígio de “natureza” ou “registro”. Mas, em relação a seus pares imediatos, Taego Ãwa parece se colocar em um lugar de destaque ao tomar para si a tarefa da violência inerente de um corte; para construir, na imagem, um espaço que projete a justiça de um mundo aparentemente impossível, que aqui, diante de nós, resiste.

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  • 18 mai 24 mai 2017

    EU, OLGA HEPNAROVÁ [ESTREIA EXCLUSIVA CINE 104]

    Eu, Olga Hepnarová [ Abertura do festival de Berlin em 2016 ]

    Direção –  Petr Kazda e Tomás Weinreb
    República Tcheca, Polônia, Eslováquia, França – 2016, 1h46m
    Com Michalina Olszanska, Martin Pechlát, Klára Melísková

    → 18 a 24 de maio (exceto 19, 21 e 22 de maio)
    Horário: 20h40

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 16 anos

    Sinopse

    Olga Hepnarova (Michalina Olszanska) é uma jovem que cresceu numa família que nunca a aceitou, por ser homossexual. Atacada e pressionada por todos os lados pela sociedade, Olga começa a isolar-se ainda mais em seu próprio mundo. Alienada e solitária, Olga fará escolhas trágicas que a levarão a cometer atos que marcaram a história.

    Sobre o filme – Diego Olivares para Carta Capital

    A personagem título de Eu, Olga Hepnarová é uma garota franzina, de ombros curvados pelo peso dos demônios que carregava nas costas. Tais demônios, acumulados e até cultivados internamente por não mais do que 23 anos resultaram em um ato trágico, que motivou sua pena de morte. Olga Hepnoravá foi a última mulher a receber esta sentença na então Tchecoslováquia, sendo executada em março de 1975, após atropelar com um caminhão dezenas de pessoas em uma praça pública localizada em Praga, no dia 10 de julho de 1973.

    Antes do ataque, escreveu a seguinte carta aberta: “Eu sou uma solitária. Uma mulher destruída. Uma mulher destruída pelas pessoas… Eu tenho uma escolha – me matar ou matar outras pessoas. Eu escolho me vingar de quem me odeia. Seria muito fácil deixar este mundo como uma vítima anônima de suicídio. A sociedade é muito indiferente a isso, e com razão. Meu veredito é: Eu, Olga Hepnarová, a vítima de sua bestialidade, sentencio vocês à morte”.

    O filme dirigido pela dupla Petr Kazda e Tomás Weinreb acompanha, de forma ficcionalizada, os últimos anos em liberdade da personagem. Desde a relação distante com os pais, até as experiências sexuais conflituosas, já que a personagem era lésbica em um ambiente extremamente machista como a companhia de motoristas para a qual trabalhava.

    “Ela não é uma vilã, mas parecida com um animal aprisionado em uma jaula de seus próprios medos”, define a atriz polonesa Michalina Olszanska, que interpreta Olga.

    Em Eu, Olga Hepnarová, suas feições lembram as de Natalie Portman, dosando uma aparente vulnerabilidade com olhares determinados, capazes de intimidar. Prestes a completar 25 anos, ela é uma das atrizes mais requisitadas do Leste Europeu.

    Ano passado esteve em outro filme que, assim como Olga, também participou da Mostra de Cinema de São Paulo, A Atração. Este é um musical de terror premiado no Festival de Sundance-2016, sobre duas sereias que chegam à terra firme e passam a ser exploradas pelo dono de uma casa noturna, que as contrata como cantoras. Uma delas se apaixona por um humano, enquanto a outra, interpretada por Michalina, tem uma insaciável sede de sangue.

    O tom extravagante e surrealista de A Atração, longa de estreia da cineasta Agnieszka Smoczynska, contrasta com o estoicismo quase documental de Olga, dois trabalhos que foram filmados com poucos meses de diferença. “Tenho obsessão por mudanças, simplesmente adoro quando as pessoas dizem não ter me reconhecido em um filme.”

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  • 25 mai 31 mai 2017

    EU, OLGA HEPNAROVÁ [ SEGUNDA SEMANA ]

    Eu, Olga Hepnarová [ Abertura do festival de Berlin em 2016 ]

    Direção –  Petr Kazda e Tomás Weinreb
    República Tcheca, Polônia, Eslováquia, França – 2016, 1h46m
    Com Michalina Olszanska, Martin Pechlát, Klára Melísková

    → 25 a 31 de maio (exceto 27, 28 e 29 de maio)
    Horário: 16h40

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa 16 anos

    Sinopse

    Olga Hepnarova (Michalina Olszanska) é uma jovem que cresceu numa família que nunca a aceitou, por ser homossexual. Atacada e pressionada por todos os lados pela sociedade, Olga começa a isolar-se ainda mais em seu próprio mundo. Alienada e solitária, Olga fará escolhas trágicas que a levarão a cometer atos que marcaram a história.

    Sobre o filme – Diego Olivares para Carta Capital

    A personagem título de Eu, Olga Hepnarová é uma garota franzina, de ombros curvados pelo peso dos demônios que carregava nas costas. Tais demônios, acumulados e até cultivados internamente por não mais do que 23 anos resultaram em um ato trágico, que motivou sua pena de morte. Olga Hepnoravá foi a última mulher a receber esta sentença na então Tchecoslováquia, sendo executada em março de 1975, após atropelar com um caminhão dezenas de pessoas em uma praça pública localizada em Praga, no dia 10 de julho de 1973.

    Antes do ataque, escreveu a seguinte carta aberta: “Eu sou uma solitária. Uma mulher destruída. Uma mulher destruída pelas pessoas… Eu tenho uma escolha – me matar ou matar outras pessoas. Eu escolho me vingar de quem me odeia. Seria muito fácil deixar este mundo como uma vítima anônima de suicídio. A sociedade é muito indiferente a isso, e com razão. Meu veredito é: Eu, Olga Hepnarová, a vítima de sua bestialidade, sentencio vocês à morte”.

    O filme dirigido pela dupla Petr Kazda e Tomás Weinreb acompanha, de forma ficcionalizada, os últimos anos em liberdade da personagem. Desde a relação distante com os pais, até as experiências sexuais conflituosas, já que a personagem era lésbica em um ambiente extremamente machista como a companhia de motoristas para a qual trabalhava.

    “Ela não é uma vilã, mas parecida com um animal aprisionado em uma jaula de seus próprios medos”, define a atriz polonesa Michalina Olszanska, que interpreta Olga.

    Em Eu, Olga Hepnarová, suas feições lembram as de Natalie Portman, dosando uma aparente vulnerabilidade com olhares determinados, capazes de intimidar. Prestes a completar 25 anos, ela é uma das atrizes mais requisitadas do Leste Europeu.

    Ano passado esteve em outro filme que, assim como Olga, também participou da Mostra de Cinema de São Paulo, A Atração. Este é um musical de terror premiado no Festival de Sundance-2016, sobre duas sereias que chegam à terra firme e passam a ser exploradas pelo dono de uma casa noturna, que as contrata como cantoras. Uma delas se apaixona por um humano, enquanto a outra, interpretada por Michalina, tem uma insaciável sede de sangue.

    O tom extravagante e surrealista de A Atração, longa de estreia da cineasta Agnieszka Smoczynska, contrasta com o estoicismo quase documental de Olga, dois trabalhos que foram filmados com poucos meses de diferença. “Tenho obsessão por mudanças, simplesmente adoro quando as pessoas dizem não ter me reconhecido em um filme.”

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  • 25 mai 31 mai 2017

    PATERSON [ PRIMEIRA SEMANA ]

    Paterson [ Primeira Semana ]

    Direção –  Mariano Cohn e Gastón Duprat
    EUA, 2016, 1h58min
    Com Adam Driver, Golshifteh Farahani, Rizwan Manji

    → 25 a 31 de maio (exceto 26, 27, 28 e 29 de maio)
    Horário: 18h30

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação 12 anos

    Sinopse

    Na cidade de Paterson, em Nova Jersey – EUA, Paterson (Adam Driver), um pacato motorista de ônibus local, vira um personagem conhecido por se destacar em uma arte diferente da condução de veículos: o rapaz é também um poeta.

    Sobre o filme – Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

    O que é a poesia? Algo que afasta as pessoas da realidade, ou, pelo contrário, as aproxima do que é essencial? Eis aí uma velha questão, contraintuitiva, que desafia o senso comum. Para este, poetas são seres distanciados da vida prática, lunáticos, sonhadores. Para um poeta de verdade, como Lautréamont, pelo contrário, nada mais prático do que uma boa poesia, pois aproxima o homem do mundo, do qual ele se distancia na luta cotidiana. São temas que podem ser encontrados neste belo, original e docemente emocionante Paterson, de Jim Jarmusch.

    Sim, Paterson (Adam Driver) é um motorista de ônibus na cidade de … Paterson. Essa redundância é o primeiro achado poético do filme. Depois, de maneira inesperada, Paterson também acaba por escrever poesias. E, mais, vive poeticamente. Ou seja, tem contato com as coisas, na contramão da maneira distanciada e voltada para si que passa por normalidade em nossos dias.

    Paterson, o homem, é tão poético que escreve poesias sem qualquer pretensão de ser publicado, ficar famoso, ganhar dinheiro. É como se escrevesse para si em primeiro lugar, o que é boa definição do que seja vocação literária. Se alguém precisa escrever, se o impulso para a escrita nada tem de pragmático, mas expressa apenas sua necessidade interior, então sim se pode dizer que se é um escritor. Aliás, era um dos conselhos que Rilke dava ao jovem poeta. Se conseguir não escrever, não escreva. Se não tiver jeito de evitar, então você é um poeta.

    Paterson é um pouco assim. Vive sua rotina, mora com sua esposa, Laura (Golshifteh Farahani), e um cão. Ela tem veleidades artísticas, mas não sabe bem o que fazer, se cozinha ou toca música country. A cidade é pequena, os moradores se conhecem pelo nome, a rotina é bem determinada. Vidas pequenas, como todas.

    No entanto, Jarmusch consegue impregnar essa rotina de certa aura, de modo que, em vez de parecer melancólico, soa apenas como evocação de paz – esta outra palavra em desuso e que pode ter até conotação negativa num mundo que valoriza o conflito, o movimento incessante, a competição como valor indiscutível e obrigatório. Paz parece coisa de gente preguiçosa ou derrotada pela engrenagem implacável do contemporâneo. “Zona de conforto” virou expressão de tamanho negativismo que nos esquecemos que muito do esforço humano se deve justamente à busca pelo conforto e pelo apaziguamento.

    De modo que o filme, de maneira sutil e suave, nos leva a pensar a contrapelo, em outra dimensão. E o faz de maneira sábia, nada boboca, sem assumir ares dessa picaretagem bem-sucedida chamada “autoajuda”. Mergulha no poético, e não apenas em seu enredo. Jarmusch busca um estilo visual apurado e plácido, de cores definidas, porém nunca gritantes. Joga sobre a tela as letras de que se compõe a poesia do protagonista, forma, talvez, de lembrar que a poesia depende da materialidade da escrita. Tudo é exposto sem pressa, sem angústia, sem qualquer vontade de impor ou convencer. Se o estilo é o homem, o estilo de Paterson define o filme.

    No fundo, há algo de zen, de piada iluminadora, do koan que, pelo absurdo, leva ao insight. Como artista do minimalismo, o diretor de filmes como Daunbailó, Estranhos no Paraíso e Dead Man dá, com Paterson, uma piscadela para Yasujiro Ozu, o mestre japonês que achava que a rotina tem lá seus encantos. A poética do simples é um bonito antídoto aos excessos alienantes do mundo contemporâneo.

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  • 25 mai 31 mai 2017

    O CIDADÃO ILUSTRE [ PRIMEIRA SEMANA ]

    O cidadão Ilustre [ Indicado ao Oscar em 2016 ]

    Direção –  Mariano Cohn e Gastón Duprat
    Argentina, 2016, 1h57m
    Com Oscar Martinez, Dady Brieva, Andrea Frigerio

    → 25 a 31 de maio (exceto 26, 27, 28 e 29 de maio)
    Horário: 20h30

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação 12 anos

    Sinopse

    Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, radicado há 40 anos na Europa, volta à sua terra natal, ao povoado onde nasceu e que inspirou a maioria de seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade – um dos únicos prêmios que aceitou receber. No entanto, sua ilustre visita desencadeará uma série de situações complicadas entre ele e o povo local.

    Sobre o filme – Alysson Oliveira, do Cineweb

    Daniel Mantovani (Oscar Martínez) é um escritor argentino sem meios-termos. Quando ganha o Nobel de Literatura, vai à cerimônia em Estocolmo, mas não faz a reverência aos monarcas, não usa roupa de gala e faz um discurso ácido sobre o papel de um prêmio dessa envergadura e de como isso é prejudicial a um artista – a premiação significa que ele foi aceito pelo establishment: “A canonização é fatal”, conclui.

    Esse é o protagonista da comédia argentina “O Cidadão Ilustre”, da dupla Gastón Duprat e Mariano Cohn (os mesmos diretores de “O Homem ao Lado”). Vivendo na Europa há quatro décadas, Daniel não volta à sua pequena cidade natal desde quando a abandonou.

    O lugar, Salas, fica a cerca de 7 horas de Buenos Aires, tem poucos habitantes e uma mentalidade provinciana. Por isso, ele reluta em revisitá-la quando recebe um convite para ser agraciado com a homenagem que dá nome ao filme.

    Ele acaba aceitando o convite, apesar de uma série de exigências (sem beijos ou abraços, a imprensa não pode saber que ele está lá, entre outras coisas).

    No aeroporto de Buenos Aires, é recebido por um tipo estranho com um carro velho, que quebra no meio da estrada, obrigando-os a passar a noite por ali.

    Quando finalmente chegam a Salas, o escritor é recebido pelo prefeito (Manuel Vicente), que comenta sua agenda de eventos durante os poucos dias que ficará na cidade. O primeiro deles é dali a pouco: uma aula aberta. E, por mais que relute, será levado num desfile em carro de bombeiros ao lado da miss local.

    Duprat e Cohn miram no humor construído a partir da tensão entre a sofisticação de Daniel e a simplicidade dos moradores de Salas. O que muitos ali parecem não saber é que a cidade e seus antigos habitantes serviram de cenário e inspiração para personagens dos romances e contos dele – e os retratos nem sempre são lisonjeiros. Mas isso os “salenses” logo ficarão sabendo.

    Trabalhando com roteiro de Andrés Duprat (irmão de Gastón), a dupla de diretores também traça um retrato pouco amável das pessoas daquela cidadezinha. Dividem-se entre interesseiros, invejosos e fãs de Daniel, embora, bem provavelmente, a maioria nunca tenha lido um livro dele – por isso é tamanha a surpresa quando se descobre o que ele diz sobre Salas.

    O efeito cômico vem das expectativas de ridículo que o filme potencializa na distinção entre Daniel e Salas. Logo depois de sua chegada, durante a homenagem, a exibição de um vídeo amador e (supostamente) cafona conta a vida do protagonista, quando criança chamado de Titi, enquanto morava ali até que saiu para ganhar o mundo.

    É um momento engraçado do filme, mas que sintetiza em si a forma como quase todos da cidade são ridicularizados.

    Em Salas, poucos se salvam. O prefeito é oportunista, o antigo melhor amigo de Daniel (Dady Brieva) casou-se com a ex-namorada do escritor (Andrea Frigerio) e enriqueceu levando turistas para caçar porcos selvagens. Há também um pintor local (Marcelo D’Andrea), que será o maior opositor de Daniel. Os personagens são todos, por assim dizer, excêntricos – falta alguém mais “normal” para dar um contraponto a toda a esquisitice.

    Cinematograficamente, “O Cidadão Ilustre” não é muito empenhado.

    Sua imagem parece pouco cuidada, assim como a câmera e afins – em alguns momentos, mais parece uma produção para a TV. Sua discussão sobre autonomia da arte é superficial e parece um tanto deslocada aqui. Ainda assim, é inegável que há bons momentos de humor e uma grande interpretação de Martínez.

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  • 26 mai 2017

    A MULHER QUE SE FOI [ SEGUNDA SESSÃO SEMANAL ]

    A mulher que se foi [ Leão de Ouro na Mostra de Cinema de Veneza, em 2016 ]

    Direção –  Lav Diaz
    Filipinas, DCP, 2016, 228 min. 
    Com Miss Charo Santos-Concio, John Lloyd Cruz, Michael de Mesa, Shamaine Centenera-Buencamino, Nonie Buencamino, Marj Lorico, Mayen Estanero, Romelyn Sale, Lao Rodriguez, Jean Judith Javier, Mae Paner, Kakai Bautista

    → 26 de maio (sexta-feira)
    Horário: 18H30

    Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
    Classificação indicativa – 12 anos

    Sinopse

    Horacia passou os últimos 30 anos numa penitenciária feminina. Ex-professora de escola primária, ela leva uma vida tranquila ajudando suas companheiras a praticarem a leitura e a escrita. Quando outra detenta confessa ter cometido o crime original, Horacia é libertada e parte em busca de sua família então distante. Enquanto procura pelo filho desaparecido, Junior, Horacia descobre novamente sua terra natal – as Filipinas do final dos anos 1990 –, apenas para concluir que seus habitantes vivem aterrorizados pela corrupção e sequestros desenfreados. Sua personalidade generosa fica contaminada por sentimentos de vingança.

    Sobre o diretor

    Lavrente Indico Diaz, também conhecido por Lav Diaz, nasceu em 30 de dezembro de 1958, nas Filipinas e foi criado em Cotabato, Mindanao. Trabalha como diretor, escritor, produtor, editor, diretor de fotografia, poeta, compositor, designer de produção e ator. Estudou Cinema no Mowelfund Film Institute, nas Filipinas. Reconhecido pela duração de seus filmes, alguns dos quais chegam a durar até 11 horas, Diaz rege suas obras não pelo tempo, mas, sim, pelo espaço e pela natureza. Elas abordam as lutas sociais e políticas do seu país e lhe renderam a admiração do circuito internacional dos festivais.

    Desde 1998, já dirigiu cerca de 16 longas de ficção, além de curtas e documentários, e conquistou os mais importantes prêmios internacionais. Em 2007, Death in the Land of Encantos recebeu na Mostra de Veneza, na seção Orizzonti, Menção Especial – Venice Horizons Award. No ano seguinte, Melancholia, na mesma seção Orizzonti, ganhou o Venice Horizons Award. Em 2013, Norte, fim da história foi exibido na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Em 2014, Do que vem antes (From What is Before) ganhou o Leopardo de Ouro, no Festival de Locarno. Em 2016, Hele sa Hiwagang Hapis (A Lullaby to the Sorrowful Mystery) foi agraciado com o Urso de Prata Alfred Bauer no Festival de Berlim.

    Filmografia

    Ang babaeng humayo | A Mulher que se foi (2016)
    A Lullaby to the Sorrowful Mystery (2016)
    Do Que Vem Antes (2014)
    Norte, O Fim da História (2013)
    Florentina Hubaldo, CTE (2012)
    Century of Birthing (2011)
    Elegy to the Visitor from the Revolution (2011)
    Melancholia (2008)
    Death in the Land of Encantos (2007)
    Heremias: Book One – The Legend of the Lizard Princess (2006)
    Evolution of a Filipino Family (2004)
    Hesus, Revolucionário (2002)
    Batang West Side (2001)
    Nua Sob a Lua (1999)
    Burger Boys (1999)
    Serafin Geronimo: Criminal of Barrio Concepcion (1998)

    Detalhes

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