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Praça Ruy Barbosa, 104 | Centro
Belo Horizonte | MG | 30.160-000
Telefone: (31) 3222-6457
contato@centoequatro.org

Funcionamento:
Café 104, Cine 104 e espaços multiuso: consulte a programação

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Agenda

16 nov

 V COLÓQUIO CINEMA, ESTÉTICA E POLÍTICA

16 e 17 de novembro
Classificação indicativa– 14 anos
ENTRADA GRATUITA

PROGRAMAÇÃO | 16 de novembro

9 horas – Abertura do colóquio: César Guimarães (UFMG)

Conferência de abertura: Diante do terror, o que mostrar e como comentar a difusão das imagens? 
Marie-José Mondzain (CNRS-Paris).

Misturando os limites entre a ficção e a realidade, a conferência propõe algumas reflexões em torno da criação e da difusão das imagens em sua relação com o terror, o gozo e a morte. Quais dessas imagens escolhemos mostrar? Como podemos comentá-las? Serão mostrados e comentados extratos dos filmes Ici et ailleurs (1974), de Jean-Luc Godard, O despertar dos mortos (1978), de George Romero e World War Z, de Marc Forster (2013).

14 horas – Sessão 1: O cinema e a rememoração histórica

Memória e política no cinema latino-americano: articulações entre opção estética e conceito de justiça
Ismail Xavier (USP)

Pondo em foco a construção de uma memória política do período das ditaduras pelo cinema latino-americano, o recorte assumido na apresentação privilegia a questão dos atos de justiça conduzidos para punição dos agentes da repressão. Referência será feita ao documentário Cavallo entre Rejas (Shula Erenberg, Laura Imperiale & Maria Inés Roqué, México-Espanha, 2006) e a Ação entre amigos (Beto Brant, Brasil, 1998), visando um comentário sucinto sobre duas formas antitéticas desse ato de justiça. Posta a questão a partir destes filmes, O segredo dos seus olhos (Juan José Campanella, Argentina, 2009) terá sua opção estética de “thriller de coordenadas clássicas” analisada em conexão com as formas como aí se institui a relação entre memória e justiça, ação política e ressentimento.

Irresolução, luto e elaboração em Orestes (Rodrigo Siqueira, 2015): uma proposição histórica
Cláudia Mesquita (UFMG)

Se o Brasil “nunca foi um país”, mas uma “fenda”, na expressão sombria de Vladimir Safatle (2016), como elaborar, no cinema, uma narrativa comum a respeito de nossa história recente? Essa comunicação se destina, de forma mais geral, à reflexão sobre o modo como o filme Orestes (2015), de Rodrigo Siqueira, concebe e propõe uma forma histórica, ao colocar em relação crimes da ditadura militar (1964-1985), a violência policial hoje no Brasil e o mito grego de Orestes. Focalizaremos, em específico, o “dispositivo” criado pelo filme, no qual se abraça um trabalho de elaboração em ato: convidadas pela equipe, algumas pessoas participam de interações e sessões de psicodrama, em dois espaços desativados (o Doi-Codi e o Teatro TAIB). Para abordar essas cenas, provocaremos aproximações com fragmentos de filmes realizados em outros contextos (Camboja, África do Sul), de modo a expor diferentes caminhos na busca de elaboração de traumas coletivos com o cinema.

16h30 – Sessão 2: As insurreições do presente

Conviver com as imagens: curadoria, reconhecimento e sinais de vida
Amaranta César (UFRB)

Diante da emergência de práticas cinematográficas que dão formas às lutas de movimentos sociais diversos por visibilidade e justiça, pretendo refletir sobre o modo como a atividade de curadoria e programação (entendida como uma práxis crítica) pode responder com uma ação, no próprio cinema, à interpelação política dos filmes e às urgências do presente em relação à vida. Minha intenção é apresentar um testemunho sobre uma experiência de curadoria e programação de filmes, abordando alguns impasses na relação com as obras e com o desejo de investir na amplificação dos sinais de vida que as atravessam. A perspectiva crítica implicada na noção de reconhecimento (na acepção de Judith Butler), conceito eminentemente ético e político, fornece as bases para a reflexão proposta. Uma vez que não pode ser reduzido à formulação e à emissão de juízos, o reconhecimento obriga o acolhimento da opacidade, a aceitação de que, enquanto sujeitos críticos, somos “parcialmente cegos”, “constitutivamente limitados”. A aplicação de tal categoria pode revelar-se útil para uma atividade de curadoria e programação em cinema, na medida em que parece capaz de ensejar uma mise en perspective dos princípios universalizantes do juízo estético, a partir da consideração do desejo menos de julgar uma obra do que de fazer vibrar os sinais de vida que a constituem e convocam.

Corpo-câmera ou como insurgir no acontecimento pelas imagens: notas sobre um regime estético
Roberta Veiga e Paula Kimo (UFMG)

Produzidas no ato de disputas políticas coletivas, como os protestos de rua, em que o corpo que filma, o documentarista, é também manifestante, as imagens insurgentes apontam para um modo de estar no acontecimento através da imagem. Mapeando traços comuns a elas – principalmente as marcas das condições de produção em sua fatura – questiona-se em que medida é possível falar de um regime estético que não é resultado do acontecimento político, mas constituinte do mesmo. A hipótese é de que há uma vontade de visibilidade constituinte do político que extrapola o mero registro e se configura como um instrumento próprio da ação política que é também física, fruto de um empenho corporal. Se o acontecimento, como um campo de forças, constrange os corpos, ele o faz também pela presença da câmera-corpo que, ao produzir imagens, cria um empuxo que modula ações e gesta movimentos. Para encontrar essa dimensão performativa das imagens insurgentes onde acontecimento e formas de visibilidade se interpenetram, iremos trabalhar com cenas de filmes e/ou do material bruto das manifestações políticas de junho de 2013 e outras próprias às lutas políticas mais localizadas (como as ocupações e outros protestos).

APRESENTAÇÃO

Ao reunir pesquisadores de diferentes matrizes de pensamento, o V Colóquio Cinema, Estética e Política aborda as diversas implicações da imagem nas formas contemporâneas da vida em comum, território coabitado pela pluralidade dos modos de existência. O evento discute a maneira com que as imagens expressam os muitos dissensos e equívocos que se manifestam em nossas sociedades, desde as acentuadas desigualdades entre o centro e a periferia, passando pela insurgência das manifestações coletivas, até alcançar a vizinhança entre mundos inconciliáveis.

As cenas inventadas pelas imagens ora testemunham acerca das inúmeras divisões que fraturam nossa sociedade, ora forjam uma ruptura bem mais radical entre ela e as formas societais criadas pelos povos ameríndios. Por esta razão, confrontamos a dimensão política e estética das imagens no espaço da pólis com os componentes do cosmos, no qual agem outras entidades – como os animais e espíritos – e não apenas os sujeitos humanos.

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