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Como Chegar

Praça Ruy Barbosa, 104 | Centro
Belo Horizonte | MG | 30.160-000
Telefone: (31) 3222-6457
contato@centoequatro.org

Funcionamento:
Café 104, Cine 104 e espaços multiuso: consulte a programação

Acesso para deficientes

Detalhes

Agenda

19 ago 20 ago

[mostra] Hollywood e além: O cinema investigativo de Thom Andersen

19 e 20 de agosto
entrada gratuita, com distribuição de ingressos 30 minutos antes da sessão

Programação – datas e horários

- dia 19 (sexta-feira), 20h30 – Os pensamentos que outrora tivemos (2015, 105 min) – sessão seguida de debate com os curadores
- dia 20 (sábado), 17h – Programa de curtas (1966/ 2015, 89 min)
- dia 20 (sábado), 20h – Los Angeles por ela mesma (2003, 170 min) – sessão seguida de debate com os curadores

Classificação indicativa – Livre

Apresentação

A mostra traz um recorte com 7 filmes, entre longas e curtas-metragens, da obra de Thom Andersen, um dos mais importantes cineastas americanos da atualidade. Andersen leciona na Escola de Cinema e Vídeo do California Institute of the Arts (CalArts), na cidade de Los Angeles, desde 1987. Seu trabalho consiste em estudos sobre as origens do cinema moderno, políticas da indústria cinematográfica americana, construções do imaginário urbano de Hollywood e singelos espaços urbanos.

Alguns destaques da mostra são seu longa mais recente, Os pensamentos que outrora tivemos, um estudo pessoal sobre a teoria do cinema do filósofo Gilles Deleuze, e a estreia latina de seu curta, Um trem chega à estação, que estreou no Festival de Locarno este ano. Outro destaque é sua obra mais conhecida, Los Angeles por ela mesma, uma análise da complexa relação entre a cidade de Los Angeles e a indústria cinematográfica hollywoodiana.

Os curadores Aaron Cutler e Mariana Shellard estarão presentes apresentando as sessões e participando de debates.

Sobre o cineasta Thom Andersen

Nasceu em 1943 em Chicago e viveu grande parte de sua vida em Los Angeles. Cineasta, crítico e professor, leciona teoria e história
 do cinema no Instituto de Artes da Califórnia (CalArts) desde 1987. Nos anos 60, dirigiu diversos curtas-metragens. Em 1974, dirigiu Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo, documentário sobre o trabalho fotográfico de Muybridge, que foi restaurado em 2013. Em 1994 publicou em parceria com Noël Burch o livro em francês Les communistes de Hollywood: Autre chose que des martyrs, um ensaio crítico sobre as vítimas da “Lista Negra de Hollywood”. Abordando o mesmo tema, em 1996 lançou em parceria com Burch o filme Hollywood Vermelha. Em 2003 dirigiu Los Angeles por ela mesma, sobre a representação de Los Angeles no cinema que ganhou o prêmio de melhor documentário no Vancouver International Film Festival de 2003 e foi eleito um dos dez melhores filmes da década pela revista Cinema Scope. Em 2015 lançou o longa Os pensamentos que outrora tivemos, uma história pessoal do cinema.

Info filmes

Los Angeles por ela mesma (Los Angeles Plays Itself, 2003, 170 min)

Os excluídos de Hollywood persistem como tema diagonal do diretor que desta vez investiga, com uma narração de tom amargo e pessoal, a construção mitológica do cinema hollywoodiano sobre a cidade de Los Angeles. O mito e a cidade são contrapostos por cenas de filmes hollywoodianos e imagens filmadas em 16 mm para ilustrar o impacto local da indústria cinematográfica e seu desprezo sobre a cidade que a abriga. Protagonistas que representam autoridades impotentes frente à decadência e criminalidade epidêmica delineiam os residentes da cidade do pecado, como Jake Gittes (Jack Nicholson), em Chinatown, e Rick Deckard (Harrison Ford), em Blade Runner – o Caçador de Andróides. Andersen também cria um contraponto com os filmes daqueles que retrataram as reais dificuldades da cidade e de seus moradores mais desprezados, por um sistema social que muitas vezes se confunde com a indústria; entre eles Uma Mulher sob Influência e o movimento neorrealista americano do qual fizeram parte filmes independentes, como Bless Their Little Hearts e O Matador de Ovelhas.

Os pensamentos que outrora tivemos (The Thoughts That Once We Had, 2015, 105 min)

Inspirado nas aulas que ministrava na CalArts sobre a relação do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-95) com o cinema, Andersen conta “uma história pessoal do cinema” – como diz o próprio intertítulo de abertura ̶ a partir de filmes que Deleuze aborda nos livros A Imagem-Movimento e A Imagem-Tempo e de outros filmes que ilustram os conceitos neles descritos. O longa-metragem mais recente de Andersen é conduzido por intertextos que aparecem entre cenas dos filmes, compostos por três vozes distintas: citações dos livros de Deleuze, citações de outros artistas e teoristas como Walter Benjamin e Jack Smith e comentários do próprio cineasta. O filme começa com a descoberta da dramaticidade da expressão facial por D.W. Griffith, caracterizada por Deleuze como a “imagem-afecção”, conceito que Andersen estende para incluir os cineastas Jean-Luc Godard, John Cassavetes e Pedro Costa, e suas respectivas musas Anna Karina, Gena Rowlands e Vanda Duarte. E segue mostrando ciclos de destruição e restauração que espelham a história recente da humanidade.

Programa de curtas

- California Sun (2015, 4 min):

A música “California Sun”, composta por Henry Glover e Morris Levy, em 1961, foi regravada pela banda Farmingdale Sound Machine, que produziu um vídeo clipe utilizando cenas de Los Angeles por ela mesma. Após assistir ao vídeo clipe, Andersen decidiu fazer sua própria versão, que foi divulgada pela banda. Depois de uma cena introdutória de A Marca da Maldade, inicia a música, acompanhada por cenas de filmes hollywoodianos que retratam com uma literalidade graciosa os versos sobre o prazer de viajar para um novo lugar.

- Get Out of the Car (2010, 34 min):

O filme, homônimo de uma música de Richard Berry, é um registro de uma cidade em transformação. Outdoors desgastados, monumentos invisíveis, letreiros de comércios populares e grafites religiosos indicam a variedade cultural de Los Angeles. As imagens são acompanhadas por músicas radiofônicas que refletem os locais e por comentários entre Andersen e os passantes sobre o futuro dos objetos retratados, da cidade, do filme e do próprio cineasta.

- Olivia’s Place (1966/74, 6 min):

Filmado em 1966 e editado oito anos depois, este estudo de um emblemático diner de Los Angeles tornou-se um manifesto. Andersen e seu cinegrafista John Moore comentam: “Em 1970 ou 1971, Bill Norton filmou ali uma cena de Cisco Pike. O Olivia’s Place também inspirou a música ‘Soul Kitchen’, do The Doors. Foi demolido em 1972 ou 1973 como parte de um projeto de revitalização urbana que transformou o centro de Santa Mônica em um boulevard de lojas e restaurantes caros, incluindo os restaurantes de Wolfgang Puck e Arnold Schwarzenegger.”

- Juke – Passagens dos filmes de Spencer Williams (Juke – Passages from the Films of Spencer Williams, 2015, 29 min)

Andersen explorou um tema que há muito tempo lhe interessava – a obra do cineasta e ator negro americano Spencer Williams (1893-1969). Entre 1941 e 1947 Williams produziu nove filmes (atuando em oito deles) dos quais seis sobreviveram. Eram classificados como “filmes de raça” (feitos por e para negros) e foram criticados durante anos pela aparência amadorística. Andersen compila cenas desses seis filmes – entre seus mais conhecidos O Sangue de Jesus e Desce, Morte! – mostrando a habilidade do cineasta em retratar a comunidade negra, sua religiosidade e moral, em registros tocantes sobre a cultura e época de um país.

- Um trem chega à estação (A Train Arrives at the Station, 2016, 16 min)

Andersen escreveu sobre seu filme mais recente: “Ele surgiu do trabalho de Os pensamentos que outrora tivemos. Havia uma cena em particular que tivemos que cortar, cuja perda eu lamentei. Era uma cena de um trem chegando na estação de Tóquio de O Filho Único de Yasujiro Ozu. Decidi fazer um filme em torno dela, uma antologia de chegadas de trem. Ele contém 26 planos e cenas de filmes entre 1904 e 2015. Ele possui uma estrutura serial simples: cada sequencia em preto e branco na primeira metade rima com uma sequencia colorida na segunda metade. Desta forma, o primeiro e último planos mostram trens chegando em estações no Japão vistos de baixo para cima. No primeiro plano (O Filho Único), o trem se desloca para a direita; no último plano ele se desloca para a esquerda. Um trem bala substituiu a locomotiva a vapor. Depois de todos estes anos, eu fiz outro filme estrutural, apesar desta não ser minha intenção original.”

Curadoria da Mostra

Aaron Cutler

Crítico e programador de cinema, vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Escrita Criativa pela Columbia University (Nova Iorque, E.U.A). Em 2015 realizou a curadoria das mostras Arquitetura como autobiografia: Filmes de Heinz Emigholz e O Mundo de Kira Muratova, este último pelo Indie Festival em São Paulo e Belo Horizonte. Participou do corpo curatorial da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo entre 2012 e 2014, sendo responsável em 2013 pela retrospectiva mais completa já realizada dos filmes do cineasta filipino Lav Diaz. Seus textos críticos já foram publicados nas revistas internacionais Cineaste, Cinema Scope, Film Comment, Sight & Sound, e The Village Voice, entre outras.

Mariana Shellard

Artista plástica, vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de Campinas com bolsa FAPESP. Desenvolveu em parceria com o engenheiro e músico Tuti Fornari
o projeto multidisciplinar RePartitura que resultou em inúmeras apresentações nacionais e internacionais – de artigos e instalações sonoras – e foi contemplado pelo programa Rumos Arte Cibernética em 2009. Em 2012 iniciou seu primeiro projeto em dramaturgia e cinema – A Igreja Sem Cristo. Entre 2009 e 2014 publicou inúmeros artigos em seminários e publicações nacionais e internacionais de arte e cinema como ANPPOM, SBCM, OPUS, Moving Image Source, Cinema Scope, e The Village Voice, entre outros. Para o Centro Cultural São Paulo, realizou as curadorias das mostras Hollywood e além: O cinema investigativo de Thom Andersen (2016) e Arquitetura como autobiografia: Filmes de Heinz Emigholz (2015).

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