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15 set

“O Templo de Cada Um” realiza milagres em praça pública

Sob a temática das manifestações religiosas, artista apresenta terceira obra de série interativa

Mais uma vez a rotina de quem passa pela Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte, ganhará um elemento extra, entre os dias 13 e 17 de setembro. No centro da praça os transeuntes poderão visitar uma grande caixa, batizada como “A Tenda dos Milagres Poéticos”, instalação interativa em moldes já conhecidos pelo público da capital mineira, criada pela artista e pesquisadora Fernanda Gomes. Do lado de dentro, o público poderá interagir diretamente com a obra que possibilita, através de dispositivos tecnológicos, a realização de três milagres – Tranformação, Ressurreição e Multiplicação. Para a artista, a ideia principal é fazer com que o espectador se sinta capaz de realizar milagres, com a ajuda da tecnologia montada nos bastidores.

A intervenção é parte do projeto “O Templo de Cada Um”, reflexão sobre as diversas formas de manifestação da fé em ambientes comuns e fora do contexto propriamente religioso. Na busca pela interação do público com a obra, Fernanda Gomes propõe, pelo terceiro ano
consecutivo, uma obra em que o espaço de recepção é determinante para atingir o objetivo de proporcionar o entendimento e a percepção de cada visitante.

Paralelamente às atividades na Praça da Estação, “O Templo de Cada Um” apresenta uma exposição fotográfica homônima, em que os registros retratam a presença de elementos ‘sagrados’ em ambientes ‘profanos’, como imagens de santos ao lado de garrafas de
bebidas em bares. As fotos foram feitas em diferentes paisagens e culturas e montam um acervo que registra pequenos altares em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Berlim, Veneza e Porto, durante os últimos seis meses. Para a artista este é o principal papel do artista:
compartilhar com aqueles que receberão suas obras, suas descobertas, suas convicções, suas visões de mundo e seus questionamentos. “No caso da obra ‘O Templo de Cada Um’, chegou o momento de mostrar algo que é muito presente nos espaços urbanos, mas que já
não é percebido em meio aos movimentos de cada um”, explica Fernanda..

A exposição fotográfica será montada no Espaço CentoeQuatro. A escolha pelo local é estratégica: além de criar uma relação de proximidade com “A Tenda dos Milagres Poéticos”, a sala escolhida se assemelha a uma capela, já que tem formato retangular e três vitrais ao fundo. As fotos serão dispostas em fileiras, a exemplo dos bancos dispostos nas igrejas católicas tradicionais, e em níveis mais baixos: isto fará com que o visitante tenha que se ajoelhar para visualizar melhor a imagem, numa clara alusão ao movimento gestual comum nas missas. A relação gestual do espectador com o objeto exposto é outro aspecto fundamental da obra de Fernanda Gomes, que já apresentou fotos de camisetas penduradas em cabides, na exposição “Não sei ser rótulo”. Em “O Templo de Cada Um”, “a intenção é revelar um universo importantíssimo para delinear a cultura brasileira, que ainda está tão ligada às suas tradições, supertições, hábitos e folclores. A singularidade de cada manifestação que no dia a dia se perde nessa imensa massa em movimento será revelada. Como a fé se insere e é inserida visualmente no contexto urbano contemporâneo?”, explica e indaga a artista.

Tornar a arte acessível ao maior número de pessoas é o grande marco das obras de Fernanda Gomes. A partir de pesquisas acadêmicas desenvolvidas durante o Doutorado em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela trabalha na idealização de obras que têm o ambiente público como espaço de disseminação da arte interativa para públicos diversos.

Nos anos de 2009 e 2010, Fernanda foi responsável por duas instalações interativas montadas também na Praça da Estação, em Belo Horizonte – “Não sei ser rótulo” e “Pare de me ignorar”. “A obra só tem sentido quando consegue dialogar com o público e estabele um
aspecto relacional entre o que é proposto e o sentido que é criado em cada um”, analisa a artista, que acompanha todos os momentos da exposição, desde a montagem até a recepção e impressão do público.

A exposição “O Templo de Cada Um” apresenta uma continuidade temática do documentário “Pelo Vermelho das Coisas”, produzido por Fernanda Gomes em 2005. No filme, a artista registrou uma viagem que teve início em Belo Horizonte e terminou na Cidade do México, em que foram registradas diversas histórias sobre vários tipos de paixões, com destaque paraa paixão pela religião e pelas manifestações de fé.

Três caixas montadas em um local público urbano durante três anos. Foi assim que Fernanda Gomes concebeu o que hoje pode ser chamado de trilogia de instalações interativas. Com o objetivo de trazer o público para dentro de suas obras, a artista escolheu
temas socialmente relevantes para habitarem o centro da cidade e dialogarem com o público. Os formatos das instalações foram bem aproximados, na medida em que todas foram criadas a partir de uma grande caixa que funciona com dispositivos tecnológicos
apropriados para a interação do público.

Em 2009, os espectadores passavam a ser o destaque da instalação “Não sei ser rótulo”, à medida em que caminhavam por uma passarela e eram assistidos por uma plateia virtual que se comportava de acordo com a atuação do público. Já em 2010, em “Pare de me ignorar”, os lugares se inverteram: o público era convidado a compor uma plateia que assistia a um desfile virtual em que os modelos reagiam de acordo com aplausos e vaias.

Para finalizar, a última instalação, “O Templo de Cada Um”, foi pensada como uma forma de fazer com que o público seja capaz de realizar milagres poéticos.

Exposição “O Templo de Cada Um”
- Instalação Fotográfica “O Templo de Cada Um”
Local: Cento e Quatro – Praça Ruy Barbosa (Praça da Estação), 104
Data: 14 a 17 de setembro, entre 10h e 22h
- Instalação interativa “A Tenda dos Milagres Poéticos”
Local: Praça da Estação
Data: 14 a 17 de setembro, entre 10h e 19h

Detalhes

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