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25 abr

Espetáculo de dança convida o público para uma experiência sensorial sobre o universo cego

O espetáculo “Dos meus olhos saem rosas” é resultado de um processo iniciado em 2005, quando a bailarina Marise Dinis dedicou-se à pesquisa “Sobre o não ver”, que investigou a mudança de perspectivas do corpo e do espaço entre as possibilidades do ver e do não ver. Como desdobramento, a artista lançou-se ao desafio de aproximar a dança contemporânea – manifestação artística extremamente apoiada na visão – desse universo.

Ao longo de seis meses de pesquisa junto a um grupo de deficientes visuais, a artista conseguiu desenvolver, através de aulas de dança contemporânea e consciência corporal, uma experiência artística que envolveu noções técnicas de dança, de percepção corporal e de criação. Paralelamente a isso, Marise passou pela experiência de ficar vendada durante 72 horas, na tentativa de experimentar uma mudança de padrão que pudesse lhe dar novas pistas de como se mover e se orientar, aproximando-se do universo que estudava.

A conclusão da pesquisa lhe trouxe a convicção de que a dança pode ser vivenciada por aqueles que não enxergam. Com isso, Marise decidiu criar um espetáculo sobre o tema e que oferecesse recursos para tal vivência. “Em ‘Dos meus olhos saem rosas’, alguns elementos foram utilizados como possíveis suportes para esse público. No entanto, o espetáculo não foi concebido exclusivamente com esse objetivo. Trata-se de um trabalho artístico direcionado a um público diversificado e que certamente proporcionará percepções diferentes de acordo com a condição de cada um. É um espetáculo que propõe aproximar o público de uma experiência sensorial, porém, sem ser interativo”, afirma a criadora e bailarina.

Para isso, a artista aliou a dança a outras linguagens que durante todo o espetáculo dialogam com seu corpo, buscando reproduzir esse universo cego. Isso acontece através da leitura de um texto, que naturalmente desperta em cada indivíduo memórias e imagens próprias de seu repertório, através da música e dos sons, que transportam o indivíduo para um diferente estado de atenção físico e mental e do improviso das imagens abstratas, projetadas ora como cenário, ora como extensão do próprio corpo. “Dos meus olhos saem rosas” é uma obra onde o corpo, o som, a luz, a imagem e o espaço se entrelaçam, de modo a proporcionar diferentes acessos sensoriais ao espectador.

Além da pesquisa em dança contemporânea desenvolvida pela bailarina, o espetáculo investiga a percepção do corpo cego utilizando-se de um diálogo com outras linguagens e recursos, como o texto assinado por Grace Passo (Grupo Espanca!) e interpretado por Gláucia Vandeveld, a trilha sonora original de Kiko Klaus, a cenografia digital de Tatu e Gabi Guerra e a iluminação de Leonardo Pavanello.

MARISE DINIS

Marise Dinis é bailarina formada pelo Ballet Nahra Azevedo e pela Escola de Dança 1º Ato. De 1990 a 1993 atuou nos grupos Camaleão (dir. Marjorie Quast e Bettina Bellomo) e Meia Ponta (dir. Marisa Monadjemi). Em 1993, integrou o Grupo de Dança 1º Ato (dir. Suely Machado), onde atuou até 2001. Recebeu o Prêmio SESC/SATED – MG de melhor bailarina, em 1996, por Desiderium, e foi indicada na mesma categoria aos prêmios Amparc/Bonsucesso, em 1996 e 1999, e SESC/SATED, em 1999. Atuou no filme “Cinzas de Deus”, primeiro longa metragem de dança do Brasil, produzido pela Zikzira Physical Theatre. Entre 2002 e 2004, viveu na Europa desenvolvendo sua própria pesquisa e participou de workshops e cursos ministrados por artistas expoentes da dança contemporânea do continente: Katie Duck, Fin Walker, Pierre Droulers, Hisako Horikawa e Felix Ruckert. De volta ao Brasil, em 2005 foi contemplada com a Bolsa Vitae de Artes para desenvolver o projeto de pesquisa “Sobre o Não Ver”, cujo objeto de estudo é o corpo cego. Atualmente, trabalha como professora de dança contemporânea, improvisação e composição gráfica da Meia Ponta Cia de Dança e do Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado (Cefar). Atua também como bailarina, em colaboração com o Grupo Espanca! e o Coletivo Movasse, e assistente de direção e de coreografia junto a diferentes grupos e artistas independentes.

MOSTRA KLAUSS VIANNA DE DANÇA

A Mostra Klauss Vianna volta a acontecer em Belo Horizonte como um dos projetos realizados pela Associação Cultural Dança Minas. De 28 de abril a 04 de maio, o Palácio das Artes e outros espaços culturais da cidade receberão espetáculos, oficinas e intervenções de dança.

A primeira edição da Mostra Klauss Vianna aconteceu em 1995. O evento acontece com o objetivo de promover o encontro das danças tradicionais e populares com o fazer artístico contemporâneo, além de contribuir para criar em Belo Horizonte uma agenda de apresentações de espetáculos locais.

A mostra expressa um especial interesse por trabalhos artísticos que invistam na pesquisa de linguagem e que investiguem a construção de modos próprios de fazer dança, além de valorizar a diversidade presente nas manifestações de dança.

SINOPSE DO ESPETÁCULO

Através do diálogo entre dança contemporânea, texto, música e projeção de imagens, “Dos meus olhos saem rosas” oferece uma experiência sensorial ao espectador, convidando-o a mergulhar em um universo perceptivo que vai além do que os olhos podem ver.

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO

Concepção, criação e interpretação: Marise Dinis
Direção: Gabriela Christófaro
Trilha sonora original: Kiko Klaus
Iluminação: Leonardo Pavanello
Figurino: Gilda Quintão
Cenografia digital: Tatu e Gabi Guerra
Texto: Grace Passô
Mulher que fala: Gláucia Vandeveld
Assistente de produção: Gustavo Ruas
Projeto gráfico: Rodrigo Borges
Fotos: Guto Muniz
Registro em vídeo: Imago Filmes

Detalhes

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