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06 mai

Primeira edição do Mozaiko

Eduardo Loureiro

Nos dias 14 e 15 de abril aconteceu com o apoio do CentoeQuatro o primeiro workshop do Mozaiko, uma iniciativa sobre Educação e Inovação Social idealizada pela Voël.

O Mozaiko é um espaço para aprender, conectar pessoas e compartilhar experiências com o propósito de contribuir com a criação de soluções e a resolução dos complexos problemas brasileiros. O objetivo é gerar empreendimentos sociais sustentáveis, baseados em novos modelos de negócios, que sejam desejáveis pelas pessoas, factíveis do ponto de vista tecnológico e logístico e rentáveis para as organizações envolvidas.

O tema trabalhado na primeira edição foi Como podemos conectar pessoas e organizações provendo meios para que ocupem os espaços do centro da cidade? A razão da escolha do tema foi a atuação do CentoeQuatro e que tem importante papel em ações, debates e apresentações de grupos culturais de ocupação urbana do centro de Belo Horizonte.

Desta primeira edição participaram 17 pessoas representando ONGs, governo do Estado, Sebrae, agências de publicidade, startups e bancos. Além dos participantes também foram convidados grupos artísticos e culturais que compartilharam suas histórias e desafios na ocupação do espaço urbano de Belo Horizonte. São eles: a Família de Rua responsável pelo Duelo de MCs, o coletivo Os Conectores e Grupo Poro.

O workshop foi facilitado pela inglesa Emma Jefferies, PhD em Design pela Northumbria University e especialista em Design Thinking e Design de Serviços, e mediado pelos especialistas em Design de Interação e cofundadores da Voël, Eduardo Loureiro, Marcos Machado, Geovane Rodrigues e Julius.

O workshop foi dividido em duas partes, no primeiro dia os participantes exploraram o contexto do problema proposto e no segundo geraram ideias e prototiparam serviços que poderiam solucionar o problema.

1º dia – Explorando o contexto > Exploração

O primeiro dia começou com uma grande roda onde todos as pessoas compartilharam o “porquê” de estarem participando do Mozaiko, suas verdadeiras motivações.

Após uma explicação sobre o conceito e as aplicações do Design Thinking, foi a hora de ouvir as histórias dos grupos artísticos e culturais locais. A cada história relatada os participantes iam documentando em post-its as principais oportunidades, atores envolvidos e problemas enfrentados por cada iniciativa.

Com isso foi completado quatro flipcharts de oportunidades, atores e problemas, dois para aspectos culturais e dois para aspectos sociais.

Após o almoço foi hora de dar início à primeira etapa do Design Thinking: Exploração.

Os participantes se separaram em grupos e foram para rua observar e conversar com as pessoas no centro de Belo Horizonte para identificar suas necessidades, desejos e sonhos e com isso tentar descobrir oportunidades e obter insights. Cada grupo tinha como objetivo documentar o perfil e o comportamento das pessoas em suas rotinas durante o fim de semana, período que costumam ocorrer a maioria dos eventos culturais. Para isso os participantes utilizaram as técnicas de “Personas” e “Day in Life”. Depois foi a hora de cada grupo apresentar as descobertas obtidas.

O primeiro dia teve fim com a construção colaborativa de um grande mural de possibilidades, construído de acordo com a inspiração trazida pelos grupos e as descobertas feitas pela etapa de pesquisa com as pessoas nas ruas.

2º dia – Gerar ideias e prototipar serviços > Ideação

O segundo dia começou com a segunda etapa de Ideação. Uma fase de divergências para a geração de ideias, a partir da bagagem de conhecimento que tinham obtido com a etapa de pesquisa. A ideação convergiu para quatro macro ideias a serem prototipadas na próxima fase:

  • Higiene para os moradores de rua;
  • Compartilhar ideias em espaços públicos;
  • Ajudar pessoas a organizar eventos culturais que utilizem espaços públicos;
  • Conectar pessoas e cultura.

Antes da prototipação, terceira fase do Design Thinking, a facilitadora Emma fez uma apresentação sobre o “Service Innovation Canvas”, um framework criado pela empresa holandesa Design Thinkers para ajudar na criação de serviços com foco em pessoas.

via http://www.designthinkers.nl/

Depois os participantes começaram a trabalhar nas ideias de serviços para as 4 macro ideias geradas na etapa de ideação. Para isso eles utilizaram o “Stakeholder Map”, um gráfico onde são identificados todos os atores envolvidos no serviço por grau de importância, o “Concept Map”, um gráfico onde o serviço é especificado no que tange sua ideia central, sua implementação, público e experiência a ser projetada e o “Custumer Jorney”, um grande gráfico horizontal onde todos os pontos de contato, da pessoa com o serviço, são mapeados com foco na qualidade da experiência da interação.

Os serviços criados foram:

1. Junto e Público

O que é:
Sistema / rede de produção de articulação de eventos públicos culturais espalhados por toda a cidade

Justificativa:
A pesquisa realizada permitiu a identificação do desejo das pessoas por boas opções de eventos culturais não apenas no centro, mas perto de suas residências em seus bairros. Uma das razões é o elevado preço do transporte público. Já existe uma quantidade razoável de centros comunitários nos bairros de Belo Horizonte, assim como artistas, que tem grande desejo de se expressar publicamente. Os evento que acontecem na região central geralmente causam problemas de segurança, transporte e destruição do patrimônio público. A ideia então é pulverizar os eventos para perto das pessoas, para que dessa forma elas tenham a chance de participar da realização e produção de tais eventos e sintam-se motivadas a sair da segurança de suas casas e interagir com as pessoas e valorizar os artistas locais.

Como funciona:
Articulação de diversos atores que possibilitem a criação colaborativa de eventos culturais gratuitos por toda a cidade. A ideia é mapear todos os atores da rede e conectá-los para que assumam o controle do sistema. Os atores são: donos de bares onde os eventos podem ser divulgados, comerciantes que podem aproveitar os eventos regionais, os responsáveis por centros comunitários e culturais que podem ajudar na divulgação e na realização dos eventos, lideres comunitários que podem ajudar na produção, artistas que além de se apresentarem podem ajudar na produção e a população que pode ser incentivada a participar da organização e da divulgação dos eventos.

Atores:
População, comerciantes, artistas e produtores culturais.

2. Ocupar para gerar valor e troca de conhecimento

O que é:
Rede de pessoas engajadas e articuladas a transformar os espaços inutilizados da cidade em espaços de troca de conhecimento e troca de serviços.

Justificativa:
A pesquisa realizada pelo grupo identificou a necessidade de utilização dos espaços púbblicos para o aprendizado e troca de conhecimento. Uma das razões levantadas durante as entrevistas foi que boa parte das pessoas permanecem durante várias horas no centro da cidade devido a fatores como a demora no trânsito, ao tempo de trabalho e o deslocamento que geralmente não é rápido. Estas pessoas possuem a necessidade de atualização e de busca de conhecimento, assim como a busca por serviços específicos que geralmente não são fáceis pois não há sobra de dinheiro que boa parte das vezes é investido integralmente em suas famílias.

Como funciona:
A proposta criada pelo grupo tinha como objetivo criar uma rede de cidadãos engajados, que ofereceriam seu conhecimento para grupos de pessoas interessadas. A cada seção ou mini curso realizado as pessoas receberiam créditos para trocar por serviços e até mesmo para participar de outros cursos. A iniciativa aconteceria em locais públicos, que geralmente são utilizados como local de passagem ou mesmo para uso de moradores de rua. Com isso, os espaços poderão ser utilizados como meio de troca de conhecimento e geração de novos valores.

Atores:
População, educadores, pessoas a procura de serviços, aposentados.

3. Rush Cultural

O que é:
Serviço de informação, mapeamento e divulgação das atividades culturais em Belo Horizonte.

Justificativa:
A pesquisa realizada pelo grupo identificou a importância de informar às pessoas sobre o que acontece na cidade quando alguém estiver nas imediações de uma atividade.

Como funciona:
O objetivo é criar um banco de dados com o maior número possível de ações culturais que ocorrem na cidade. Em seguida, por meio de parcerias com o poder público, disponibilizar informações em espaços públicos e eletronicamente (bluetooth, SMS, pontos de ônibus, totem-interativo).

Atores:
População, empresas, organizações culturais, ONGs, governo, associações comunitárias, artistas.

4. De cara nova

O que é:
Serviço para possibilitar que moradores de rua tenham a possibilidade de se higienizar.

Justificativa:
Hoje há um grande número de moradores de ruas nas cidades e isso é um fato facilmente constatável. Essas pessoas estão vivendo nas ruas por diversos motivos, vício em drogas, abandono das familias e alguns porque simplesmente não se enquadram mais nos padrões da sociedade e decidiram que essa semana a melhor escolha. Muitos desses não são aceitos em abrigos públicos, por diversos motivos e esses são os que mais sofrem com as condições oferecidas.

Constatou-se que os moradores de rua da área central de Belo Horizonte que, além da exclusão que acontece pela condição social dessas pessoas, eles também se sentiam excluidos da sociedade por motivos de higiene, por estarem sujos e mau vestidos, o que inibia a aproximação dessas a outras pessoas.

Levando-se isso em consideração, pensou-se em uma forma de iniciar uma reintegração dessas pessoas na sociedade através de uma iniciativa que os ajudassem a cuidar de sua aparência e higiene.

Como funciona:
Articulando agentes públicos e privados para a construção de centros ao redor da cidade, nos locais de maior concentração de moradores de rua, que possibilitem que essas pessoas possam tomar banho, escovar dentes, cortar cabelo e unhas. Esses centros seriam financiados pela iniciativa público/privada.

Atores:
Empresas, moradores de rua e população em geral.

Com isso foi hora de cada grupo apresentar os resultados e as dificuldades de implementação do serviço no contexto geral. Isso gerou uma grande troca de ideias para melhorias em cada serviço pensado.

E assim terminou essa grande experiência da primeira edição do Mozaiko, conectando pessoas de diferentes áreas para experimentar o mindset do Design a partir de um problema real da sociedade.

O próximo Mozaiko acontece em Recife durante a feira ExpoIdea no dia 11/05 e a expectativa é que outra edição aconteça em Belo Horizonte em meados de junho. Se você tem interesse acompanhe o Facebook do Mozaiko ou envie um email para contato@mozaiko.cc

Eduardo Loureiro é professor e especialista em Design de Interação. Atua em projetos de criação e pesquisa para produtos digitais desde 2001, trabalha com Design de Negócios, é cofundador da Voël e idealizador do projeto Mozaiko.

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Um comentário

  1. [...] Post orinalmente publicado no blog do CentoeQuatro: http://www.centoequatro.org/blog/primeira-edicao-do-mozaiko [...]

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