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Agenda

15 jun 21 jun

Animal Político [ Roterdã 2016 e 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes ]

Direção –  Tião
Brasil, 2016, 1h16m
Com Elisa Heidrich, Victor Laet, Isabel Novaes

→ 15 a 21 de junho (exceto 18 e 19 de junho)
Horário: 16h40

Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
Classificação 14 anos

Sinopse

Uma vaca sempre levou uma vida tranquila: ela tem pais que a amam, boas condições financeiras, muitos amigos. Ela sempre sai, se diverte, faz compras no shopping e passa o tempo na academia. Mesmo assim, existe uma sensação de vazio. A vaca tenta estudar e se tornar culta, mas isso também não alivia as angústias. Ela decide então partir sem um destino preciso, em busca de autoconhecimento.

Sobre o filme – Flávia Guerra, do Tela Tela

Uma vaca urbana, que vive confortavelmente em uma grande cidade, onde tem uma família que a ama, amigos queridos, frequenta a academia, bons restaurantes, vai ao shopping fazer compras… Está tudo bem na vida deste animal. Até que um dia, às vésperas do Natal, ela se dá conta de que um vazio, uma falta de sentido toma conta dela. E decide largar tudo e partir para o campo, o deserto, em busca de iluminação e respostas para o real sentido da vida.

Esta é a premissa bem humorada, e ao mesmo tempo irônica de Animal Político, o primeiro longa-metragem do diretor pernambucano Tião, que foi um dos destaques da 19a Mostra de Cinema de Tiradentes na semana passada e que integra a mostra competitiva Bright Future (Futuro Brilhante) no Festival de Rotterdam, com exibições nesta quinta e no próximo sábado. Detalhe: a vaca atriz, a protagonista do filme, é uma vaca mesmo, a Cerveja, como a equipe do filme a batizou.
A voz da vaca, no entanto, é masculina, interpretada com maestria pelo ator Rodrigo Bolzan.Melancólicos, mas questionadores, os pensamentos do animal nos conduzem em um filme que tem tanto de absurdo quanto de verossímil e filosófico.

Na trama, o jovem Tião, que já foi premiado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes pelos curtas Muro (de 2008) e Sem Coração (de 2014, em parceria com Nara Normande) conta toda a história (com exceção do capítulo ‘A Pequena Caucasiana’, que parece deslocado, mas tem sua razão de ser ao final de tudo) do ponto de vista da vaca.

“Pensar no que é a vaca é uma questão social, clara e básica. A gente é uma coisa só e pode, ao mesmo tempo, ser tão separado. Queria falar de uma entidade humana. Torná-la mais ambígua que eu conseguisse”, comentou em Tiradentes o diretor sobre a escolha do animal e também de dar a ela uma voz masculina.

O diretor Tião, em Tiradentes, que assina com ‘Animal Político’ seu primeiro longa, depois de ser premiado com dois curtas em Cannes Vaca humana – A vaca de Animal Político (em referência clara à obra de Aristóteles) é a própria humanidade, que precisa de objetos e outros seres-humanos para existir, mas que cada vez mais se cerca de conforto, grades e certezas pré-concebidas e que, no entanto, vê-se também infeliz e insatisfeita, sempre em busca de algo inalcançável.

“Toda a trajetória da vaca é do ponto de vista dela. A gente tira o personagem médio-burguês e leva para uma proposta de trajetória, de sair do seu núcleo, do seu conforto”, completou Tião.

Realizar um filme tão aparentemente simples e ao mesmo tempo sofisticado consumiu anos de produção, cerca de R$ 400mil e muita paciência para rodar com Cerveja em diversas locações do Recife e do interior de Pernambuco e da Paraíba, incluindo até mesmo no vagão do metrô, no cabeleireiro, no restaurante. De fato, dirigir uma vaca não é tarefa das mais fáceis.

O trabalho de produção para lidar com a ‘atriz’ exigia que ela saísse sempre muito cedo para o set, tivesse cuidados especiais, não filmasse mais que dois dias seguidos. Além disso, em várias cenas Cerveja foi puxada por uma corda, que foi apagada na pós-produção. “Nunca tinha trabalhado em um filme em que a vaca era protagonista e nossa equipe foi fundamental para que o filme estivesse pronto”, comentou o produtor do longa, Tiago Melo.

A atriz, a vaca Cerveja, como foi batizada pela equipe, não podia filmar mais que dois dias seguidos “Era um filme que, no meio do processo, descobrimos que talvez fosse impossível. Já estávamos no meio do caminho entre o barco e a praia. É um filme que, em tese, alguém do cinema clássico pode dizer que seria impossível de ser feito”, completou Tião.

Mas Animal Político foi feito. E com esmero. Para quem embarca na viagem da vaca existencialista, o longa é um passeio tão interessante quanto árduo por ideias e questionamentos que vão de um clima de Sessão da Tarde a Fiódor Dostoiévski e Immanuel Kant, passando por Buda e até pelo manual da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Sobre este último, comentando o ‘trabalho’ que já teve para seguir as normas do Manual de Normatização de Trabalhos Acadêmicos da ABNT em seus próprios trabalhos acadêmicos, Tião faz referência, em uma leitura simbólica, das regras que não só organizam, mas também limitam tanto a educação brasileira quanto o próprio modo de vida.

A Pequena Caucasiana – Em Animal Político, acompanhando a odisseia clássica da vaca, cuja simples presença já é contraste suficientemente grande com os ambientes ‘normais’ em que ela se insere, há, em paralelo, a história da Pequena Caucasiana. Ela é uma jovem que, aos cinco anos, após um naufrágio, foi parar sozinha em uma ilha deserta.

Filha de uma família burguesa, branca e dominante, ela estava acostumada a mandar, a agir com racismo e a valorizar um modo de vida totalmente oposto ao ambiente selvagem em que é obrigada a crescer. Já adulta, sempre nua e lutando para sobreviver, ela também filosofa sobre como era sua vida, se teria a sociedade mudado ou não nos anos em que passa isolada e, para matar o tempo, lê o manual da ABNT.

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