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14 nov 15 nov

Gabriel e a Montanha [ Cannes 2017 ]

Direção – Felipe Barbosa
Brasil, 2017, 2h11
Com João Pedro Zappa, Caroline Abras, Leonard Siampala, John Goodluck, Alex Alembe

→ 14 e 15 de novembro
Horário: 17h

Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
Classificação indicativa 14 anos

Sinopse

Gabriel Buchmann (João Pedro Zappa) tinha um grande sonho: conhecer a África. Entretanto, mais do que visitar seus pontos turísticos ele desejava conhecer como era o estilo de vida do africano, sem se passar por turista. Desta forma, decide encerrar sua viagem ao mundo justamente no continente, onde se envolve com vários habitantes locais e recebe a visita da namorada, Cristina (Caroline Abras), que mora no Brasil. Prestes a retornar, seu grande objetivo se torna alcançar o topo do monte Mulanje, localizado no Malawi.

Sobre o filme – Inácio Araújo para a Folha de São Paulo

Viagem de brasileiro pela África inspira ‘Gabriel e a Montanha’

Uma impressão fugaz ao ver “Gabriel e a Montanha”: parece um “Hatari” póscolonialista. A impressão vem da bela corrida de uma girafa, quando Gabriel está num ônibus. No clássico filme de Howard Hawks também há uma bela corrida de girafas. Mas ali os caçadores brancos buscam laçá-las para enviar a um zoológico.

O mundo se transforma. Não inteiramente, mas se transforma. Hoje Gabriel, o jovem brasileiro que peregrina pela África após concluir seus estudos, ao encontrar os habitantes locais sabe que são homens de pleno direito, não seres que só interessam pelo que têm de exótico.

No entanto, ainda são o Outro: o desconhecido. Ou, mais precisamente: o desconhecido que vive em nós, pois está em nossa origem, em nosso sangue.

A opção de Gabriel tem algo de puro, de generosidade absoluta. Um jovem economista recém-formado, de classe média alta, branco, podia muito bem se encher de dinheiro no mercado financeiro, não podia? Gabriel segue, no entanto, em outra direção: quer conhecer esse outro, descobrir-lhe o valor e a sabedoria.
Esse é o centro de sua peregrinação. Gabriel, vamos dizer logo, morrerá. E ninguém comece a reclamar desde já: o primeiro (e magnífico) plano do filme é aquele em que descobrem o seu corpo inerte.

Existe pureza, generosidade, vontade de aprender, desprendimento no jovem brasileiro. Mas existe também uma segurança de si mesmo característica de nossas classes altas. Gabriel tem a consciência de que pode tudo, inclusive safar-se das situações mais ingratas. Pode-se dizer: por mais que fujamos, nossa condição de classe não nos abandona.

A peregrinação de Gabriel nos interessa mais pela viagem do que por seu ponto final, de todo modo. Por exemplo: logo no início entender a relação dos habitantes locais com a natureza, a maneira como se calçam, até mesmo partilhar o colorido de suas vestes são gestos fundamentais desse trajeto.

Se Gabriel morreu, Fellipe Barbosa em todo caso trouxe a nós um tanto desse conhecimento ao retraçar o mais fielmente possível a viagem de seu antigo colega de escola. Fellipe mesmo esclarece que existe uma proximidade entre Gabriel e o Cândido criado por Voltaire: ambos dotados de um otimismo que os exclui do mundo dos vivos.
A subida final de Gabriel poderia até comprovar essa assertiva: Gabriel despreza o conselho da branca que vive na montanha há anos e lhe recomenda trocar as sandálias por sapatos. Ah, a humildade pode se transformar com facilidade em autossuficiência. Entre os brasileiros sobretudo.

Seria essa a causa da morte de Gabriel? Pode ser. Mas ele chega ao topo, tira uma selfie com a bandeira do Brasil agitada, como a afirmar o destino triunfal de nossa nação. Em seguida, um pouco como o Brasil, sucumbirá à arrogância: a neblina torna a descida, que parece tão mais fácil, fatal.

“Gabriel e a Montanha” não tem sequer um plano rodado no Brasil. E, no entanto, é difícil imaginar um filme mais inteiramente brasileiro.

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