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Praça Ruy Barbosa, 104 | Centro
Belo Horizonte | MG | 30.160-000
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Funcionamento:
Café 104, Cine 104 e espaços multiuso: consulte a programação

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Agenda

15 set 20 set

Um Filme de Cinema [ Festival do Rio ]

Direção – Walter Carvalho
Brasil, 2015, 1h48m
Com Bela Tarr, Júlio Bressane, Gus Van Sant

→ 15 a 20 de setembro (exceto 17 e 18 de setembro)
Horário: 17h

Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
Classificação Livre

Sinopse

Um cinema abandonado e em ruínas no interior da Paraíba é o cenário inicial de um filme sobre o cinema, que viaja nos depoimentos do romancista e dramaturgo Ariano Suassuna e de inúmeros cineastas, como Bela Tarr, Júlio Bressane, Ruy Guerra, Jia Zhang-ke e Karim Aïnouz. Eles discutem questões sobre a linguagem cinematográfica: como atingir a verdade? O cinema deveria ser realista ou privilegiar o falso? Qual é o papel da objetividade na hora de filmar? Como explorar o som? Qual é a diferença de usar planos longos em relação aos curtos?

Sobre o filme Naief Haddad para Folha de São Paulo

‘Um Filme de Cinema’ está a serviço do encantamento

Não tivesse outras qualidades, “Um Filme de Cinema”, de Walter Carvalho, já valeria a pena pelos seus minutos iniciais. Ao som de uma composição do alemão naturalizado inglês Max Richter, o documentário passeia pelas ruínas do Cine Continental, um pequeno cinema abandonado no interior da Paraíba.

Depois de passar por latas enferrujadas de filme, cadeiras de madeira e outros resquícios do lugar, a câmera se detém na parede onde os filmes eram projetados. Ali se vê “Horse in Motion”, imagens feitas em 1878 pelo inglês Eadweard Muybridge. Para muitos, como Carvalho, é ele (e não os irmãos Lumière) o verdadeiro pioneiro do cinema.

É uma das mais potentes aberturas do cinema brasileiro recente. O que vem a seguir é um filme sobre fazer filmes, sem objetivos históricos ou didáticos. Estamos primordialmente no terreno afetivo.

Ao longo de 14 anos, Carvalho pediu a diretores notáveis que respondessem: por que você faz cinema? Para que serve o cinema? Desse mote inicial, vieram outros temas, como a importância do som e a duração dos planos.

Gosto de “filmes que me fazem sentir que o mundo ficou maior, mais complexo, mais rico. E isso não acontece quando vejo Jennifer Aniston”, diz Lucrecia Martel, de “O Pântano” e “A Menina Santa”.

A sagacidade das observações da cineasta argentina se junta a comentários reveladores do húngaro Béla Tarr, do chinês Jia Zhang-ke, do americano Gus van Sant, entre outros.

Costurados de modo cuidadoso, os depoimentos revelam, por exemplo, pontos em comum entre diretores de perfis muito diferentes, como Júlio Bressane e José Padilha. Reiteram ainda como os filmes e as ideias de Godard são influência determinante sobre a produção contemporânea.

Aliás, o documentário mostra trechos de “O Demônio das 11 Horas” e “Bande à Part”, ambos do francês. Há ainda passagens de “O Cavalo de Turim”, de Tarr, “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, e outros tantos. Além de servir como complemento aos comentários, o recurso contribui para o ritmo do filme, quebrando sequências de depoimentos.

Ao lançar mão desses meios, Carvalho não procura comprovar ou refutar teses. Tudo está a serviço do encantamento pelo cinema, o que pressupõe mistério, dúvida, entrelinhas.

Aos 70 anos, Carvalho é mais conhecido pela fotografia de produções brasileiras, atividade que exerce há mais de quatro décadas. Mas também tem se destacado na direção, seja na ficção, seja nos documentários.

Nessa seara, “Um Filme de Cinema” é certamente o ápice de sua carreira.

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