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Belo Horizonte | MG | 30.160-000
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Funcionamento:
Café 104, Cine 104 e espaços multiuso: consulte a programação

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Agenda

12 out 18 out

Uma mulher Fantástica [ Urso de Prata – Melhor Roteiro – Festival de Berlim 2017 ]

Direção – Sebastián Lelio
Chile, 2017, 104m
Com Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco, Aline Küppenheim

→ 12 a 18 de outubro (exceto 15 e 16 de outubro)
Horário: 19h

Entrada R$ 12 / R$ 6 (meia entrada)
Classificação indicativa 14 anos

Sinopse

Marina é uma mulher trans. Quando seu parceiro morre, ela se vê diante da raiva e do preconceito da família dele. Ela luta por seu direito de sofrer – com a mesma energia ininterrupta que ela exibiu quando lutou para viver como uma mulher.

Sobre o filme – Inácio Araujo para a Folha de São Paulo

Mistério de ‘Uma Mulher Fantástica’ fascina o espectador

É inquietante olhar para a Marina de “Uma Mulher Fantástica”: conforme o ângulo, o que vemos é uma mulher, conforme o ângulo (ou a expressão corporal, ou arranjo dos cabelos), uma mulher. O certo é que esse perfeito andrógino, ou transexual, desperta nossa atenção como objeto (o que é?) antes, bem antes, de nos perguntarmos por ele como sujeito (quem é?).

É desse mistério, no mais, que se ocupa o filme do chileno Sebastián Lelio. Mistério que fascina o espectador, diga-se. Um dos melhores momentos do filme, a esse propósito, está no final. Vemos, à distância e pela primeira vez, o corpo nu de Marina. E nos perguntamos sobre como serão seus órgãos genitais.

À distância, não se pode saber. Mas haverá um plano próximo? Sim, ele vem logo em seguida. Porém não como se poderia esperar. Vemos as pernas de Marina, mas, entre elas, há um espelho redondo. Ou seja, em vez do mistério resolvido, o que vemos é o rosto de Marina, sempre ambíguo, refletido no espelho.

De certa forma é a nós mesmos que a reflexão remete. À nossa curiosidade, à nossa inquietação, às nossas dúvidas e angústias sobre a sexualidade.

A questão do filme é desenvolvida ao longo de uma trama razoavelmente convencional, e que poderia dizer respeito a qualquer pessoa, transexual ou não: Marina vive com Orlando, bem-sucedido empresário que morre de modo repentino.
Começa então o sofrimento de Marina, não apenas pela perda de uma pessoa querida como pelas suspeitas da polícia de assassinato (não são tão fortes assim, mas a forçam a uma série de procedimentos humilhantes).

Não só: a família de Orlando não demora a explicitar toda a reserva que tem em relação a Marina e à opção de Orlando de abandonar a mulher. Esta, aliás, dará a melhor definição de Marina: uma quimera, quer dizer, um ser imaginário.
Eis o que, entre agressões e humilhações de Marina, recentra a trama: é com a ficção que estamos envolvidos. Talvez seja essa a paixão de Orlando: a percepção de que nenhum homem passa de uma quimera, de um ato de imaginação.

A Marina cabe ser a quimera absoluta: homem e mulher, masculino e feminino. O imaginário tornado real pela ciência contemporânea. O triunfo do fictício num mundo que já pouco acredita em sua própria imaginação. A hipótese desenvolvida por Lelio não é apenas contemporânea.

É, ainda, muito interessante, na medida em que coloca em questão o que somos e sugere, até, aquela resposta da personagem de uma peça de Fernando Pessoa: “De resto, fomos nós alguma coisa?”.

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